O novo ano, 2026, amanheceu com a proteção de Santa Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, neste que também foi o 59º Dia Mundial da Paz, instituído por São Paulo VI. Como prelúdio da esperança num mundo novo e melhor, abriu caminho a um tempo de prosperidade, progresso e empenho universal para as pessoas de boa vontade rezarem e trabalharem pela paz.
O Papa Leão XIV ofereceu-nos um texto belíssimo sobre a paz, numa reflexão atual e pertinente que fala da construção da paz no nosso mundo com o lema: “A paz esteja com todos vós: rumo a uma paz desarmada e desarmante”.
Na sua viagem apostólica à Turquia e ao Líbano afirmava: “A paz é saber viver juntos, em comunhão, como pessoas reconciliadas. Uma reconciliação que, além de nos fazer conviver, nos ensinará a trabalhar juntos, lado a lado, por um futuro partilhado. E então, a paz torna-se aquela abundância que nos surpreende quando o nosso horizonte se amplia além de qualquer circunscrição e barreira”.
Nos primeiros dias deste Novo Ano, quero destacar alguns momentos celebrativos e significativos da caminhada espiritual e eclesial da nossa Diocese, enquanto construtores da paz, semeadores da esperança, desafiados a “Ser Protagonistas da Mudança”.
Realço a celebração da Solenidade da Epifania do Senhor, no primeiro domingo do ano, com a abertura do Ano Jubilar de Santa Beatriz, a partir do Mosteiro de Campo Maior, na Arquidiocese de Évora, presidida pelo Arcebispo D. Francisco Senra, para assinalar os 100 anos da Beatificação e os 50.º anos da Canonização.
No Mosteiro de Santa Beatriz, em Viseu, associámos-nos a este evento, com a celebração da Eucaristia, que marcou a abertura do Ano Jubilar de Santa Beatriz, na presença das monjas concepcionistas franciscanas da Imaculada Conceição, e do povo de Deus que ali se reúne a cada domingo para celebrar o dia do Senhor.
O nome Beatriz, significa ser feliz! Na verdade Santa Beatriz foi feliz, porque soube escolher Deus em primeiro lugar na sua vida. Renunciou às riquezas e honras da Corte do Rei de Castela, para se recolher num convento em Toledo, onde durante cerca de trinta anos viveu como leiga secular entregue à oração, à contemplação, ao sacrifício e ao silêncio para discernir a futura fundação.
É feliz quem medita na Palavra e tem Deus no seu coração, por isso viver em intimidade com Ele, compromete-nos a fazer tudo para que Ele habite no coração de muitos irmãos.
A Epifania, manifestação de Jesus aos gentios, vindos do Oriente, revela-nos a fonte da verdadeira devoção e da esperança no acolhimento da luz divina.
Cristo é a verdadeira Luz do mundo, revelado aos reis Magos do Oriente através de uma Estrela, que brilhou também na vida de Santa Beatriz. Ela também se deixou iluminar pela luz de uma estrela que deu sentido profundo à sua vida e à sua vocação.
A Epifania manifesta a toda a humanidade a riqueza da proximidade e da gratuitidade de Deus, na esperança jubilosa da vinda de Cristo, o Salvador prometido. A revelação de Deus faz-se em cada dia e em cada lugar proclamando a universalidade da salvação para todas as gentes. A divindade manifestou-se e a glória de Deus foi vista pelos reis Magos no Oriente e hoje por todos os que procuram o Senhor.
A gentilidade, acolhendo a luz de Deus, entrou também no mistério da filiação divina e transformou-se no povo eleito, a Igreja comunidade de chamados à fé e à participação na luz de Deus. Não podemos deixar de fazer referência à celebração do encerramento do Ano santo Jubilar da Esperança, com o fechar da Porta Santa, ocorrido no dia 6 de janeiro, na Basílica de São Pedro, em Roma na Eucaristia presidida pelo Papa Leão XIV.
Outro momento importante na Diocese é a celebração dos 105 anos do Jornal da Beira, órgão de imprensa regionalista e de cariz cristão, fundado a 9 de janeiro de 1921. É um órgão de comunicação da Diocese ao serviço da boa imprensa, meio de comunicação a informar e formar as consciências com os valores humanistas, cristãos e éticos ao serviço da Igreja e da sociedade. Parabéns ao Jornal da Beira, aos Diretores da Fundação e do Jornal, a toda a equipa da redação, aos assinantes, benfeitores e colaboradores da Fundação, que também têm a responsabilidade da gestão da Livraria e da produção de hóstias.
O aniversário do Jornal da Beira, celebrado com júbilo, recorda-nos que ele precisa do nosso acolhimento, estima e cooperação. Sejamos benfeitores do Jornal da Beira e da boa imprensa através de uma nova assinatura oferecida a um familiar ou amigo.
Peço a Deus, por intercessão de Nossa Senhora, a Mulher da comunicação, e de São Teotónio, nosso padroeiro, uma vida longa e sadia para o Jornal da Beira. Parabéns e muitas felicidades, com muitas prendas dos leitores, dos amigos e dos responsáveis deste meio de comunicação social da Diocese de Viseu.
Que o nosso Jornal esteja cada vez mais ao serviço de todos e espalhe a luz de Deus por muitas mentes e corações, iluminando as consciências para ajudar a transformar vidas e formar, nos valores do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja, os cristãos e pessoas de boa vontade.
+António Luciano, Bispo de Viseu