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As Jornadas do Clero das Dioceses do Centro de 2026 terminaram hoje em Fátima, após três dias de reflexão. Na sessão de encerramento foi lido o seguinte memorando, que resume as temáticas abordadas nestes dias:

Memorando

“Conversão das relações: da comunhão à missão” foi o grande tema que envolveu estes três dias, 27, 28 e 29 de janeiro de 2026, das Jornadas do Clero das Dioceses do Centro, Aveiro, Coimbra, Guarda, Leiria-Fátima, Portalegre-Castelo Branco e Viseu. Aconteceram em Fátima.

O bispo de Coimbra inaugurou o encontro afirmando que os ministros ordenados são “o rosto visível, quase material e físico da Igreja”. “Tem de existir um caminho de renovação das relações, da relação com Deus, e relações humanas, dentro e fora da comunidade”, referiu.

Cito: “Sem estes momentos, sem percurso formativo, corremos o risco de ficarmos estagnados no tempo, e isso não vai ajudar”, alertou D. Virgílio Antunes.

Dario Vitali, professor da Universidade Gregoriana de Roma e responsável dos peritos nas duas sessões da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, foi o primeiro orador das Jornadas do Clero do Centro e apresentou a temática – Raízes sacramentais do Povo de Deus – “O santo Povo de Deus que é a Igreja”.

A sinodalidade “Não é o direito de falar, mas o dever de escutar” – reforçou Dario Vitali.

“O primeiro ato da Igreja é a escuta” foi a frase de Dario Vitali que deu a visão de um modelo de comunhão de Igrejas, onde a escuta recíproca é o motor da missão. Um dos pontos de maior destaque foi a valorização da Igreja Local.

Cito: “Podemos fazer coisas extraordinárias caminhando juntos porque a sinodalidade é escuta e é como o TOM TOM (ou outro dispositivo de navegação) que, quando erramos no caminho, indica “recalcular””, concluiu.

A tarde terminou com grupos reunidos no método de Conversação no Espírito com a questão “Onde podemos implementar o discernimento sinodal valorizando os sujeitos da Igreja local: povo de Deus, bispo e presbitério?”

No segundo dia das jornadas, dia 28 de janeiro 2026, Alphonse Borras, sacerdote belga, perito na última assembleia do sínodo dos bispos, apresentou a sua reflexão para a conversão das relações no ministério ordenado e nas comunidades: Diocese, Paróquia e Unidade Pastoral.

Cito: “O ministério ordenado está ao serviço da harmonia e a harmonia inclui mais ministérios”, referiu Alphonse Borras.

Assim deixa de ser visto “em si mesmo” para ser compreendido “na, com e para a comunidade”.

O desafio final lançado aos ministros ordenados é o de se “maravilharem perante a ação de Deus” no seu povo, atuando como catalisadores dos carismas que o Espírito Santo derrama sobre todos os batizados.

A segunda conferência do orador refletiu sobre o tema “Comunhão para a missão: conversão das relações na Igreja Local – Diocese, Paróquia e Unidade Pastoral” onde se centrou na mudança de visão puramente territorial para uma Igreja de laços, partilha de dons e corresponsabilidade.

Cito: “O que seria de uma paróquia se os paroquianos não tivessem vontade de se juntar? Seria um vazio”, apontou Alphonse Borras.

O Documento Final (DF 117) defende que a paróquia deve ser “para tudo e para todos”; onde “qualquer um” se sinta em casa, especialmente os “invisíveis” e marginalizados; e passa-se da lógica de “divisão geográfica” para a lógica de “presença encarnada”.

Cito: “Os conselhos pastorais, por exemplo, têm de ser lugares de expressão da igreja local, não só de organização, mas de releitura da realidade e revisão de vida, ajudando a aprofundar a consciência de ser igreja missionária”, alertou.

A tarde terminou com grupos reunidos no método de Conversação no Espírito com a questão “Que passos devo promover para uma maior corresponsabilidade nas comunidades que me foram confiadas?”

No terceiro dia das Jornadas, 29 janeiro, Emilio Lavaniegos González apresentou uma reflexão sobre a espiritualidade do ministério ordenado no contexto de uma Igreja sinodal. O orador defendeu que a sinodalidade — o “caminhar juntos” — não é uma moda ou uma estratégia empresarial, mas a essência da mais pura tradição cristã.

Cito: “O ministério sacerdotal é para servir e de nenhuma forma para ser servido”, afirmou.

A intervenção encerrou com um apelo à conversão e apontou que o último objetivo do ministério é “apascentar o Povo de Deus”.

Cito: “A característica mais essencial da espiritualidade sinodal do ministério ordenado, é o cuidado solícito do povo de Deus, garantindo a participação de todos”.

A organização das jornadas promoveu um inquérito ao clero presente sobre a situação do ministro ordenado, com questões sobre a saúde física e espiritual, bem como as relações com hierarquia e seus pares, que serviram de base de reflexão.

Margarida Neto, psiquiatra, abriu a tarde de quinta-feira, com o tema “o ministério ordenado: entre a espiritualidade, a fragilidade e o burnout”, onde esclareceu a definição de “burnout” e os sinais de alerta.

Cito: “Quando se experimenta um cansaço ou fadiga e não consideramos um cansaço feliz alguma coisa está mal”, indicou.

O orador Emilio Lavaniegos González abordou o tema “O ministério ordenado: entre a espiritualidade e a fragilidade” e clarificou que a fragilidade não é um erro de percurso, mas uma “condição permanente” do ministro.

O orador alertou para o facto de o ministério ser hoje uma “profissão de risco”, marcada pela exposição pública e por estilos de vida contraculturais.

Cito: “A correção fraterna e a abertura do coração ajudam a compreender melhor a nossa fragilidade”, referiu.

Este foi o terceiro ano em que se concretizaram as Jornadas do Clero das Dioceses do Centro, depois destes temas de reflexão nestes três dias, fica o desejo de continuar a converter as relações e de caminhar juntos.

 

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