A crise humanitária do Médio Oriente, consequência da guerra que deflagrou entre o recente ataque de Israel e dos Estados Unidos ao Irão, que causou a morte do seu líder político e de tantas pessoas inocentes, acendeu nos países da região violência, ódio, morte e destruição, a que é preciso pôr fim.
Chefes de Estado e líderes mundiais realizaram, nas últimas semanas, encontros diplomáticos, reuniões políticas e esforços de negociação em vista a alcançar a paz, mas esta torna-se cada vez mais distante.
A falta de diálogo entre os responsáveis de governos no poder e a teimosia de alguns em quererem impor as suas ideias, resolver os conflitos e problemas pela força provocam guerras nefastas, cujo fim está longe. O poder bélico e sofisticado de algumas nações, a falta de diálogo humano e institucional para resolver muitos problemas de forma pacífica e a incapacidade de acolher e integrar pessoas de diversas etnias, culturas e religiões, vítimas da guerra, constituem alguns dos grandes desafios do mundo atual.
O caminho da reconciliação, para refazer as relações entre as pessoas e os povos, precisa de inspiração profética com uma dose grande de amor, de humildade, de humanismo, de empatia, de tolerância, de ética, de espiritualidade, de fraternidade e de solidariedade, para que seja possível alcançar a justiça e a paz no coração das pessoas e nas estruturas das instituições. É preciso trabalhar para solidificar a paz, que respeita o outro, promove a dignidade da pessoa humana, valoriza a identidade de cada ser humano e torna os direitos do Homem cada vez mais universais, invioláveis e inalienáveis.
Para compreender melhor o outro no seu modo de pensar e de agir, para integrar as suas diferenças e abertura à comunidade, é preciso mudar o coração e também as mentalidades.
O poder da guerra em tantas partes do mundo, principalmente a que se assiste entre vários países do Médio Oriente está a provocar uma grande crise mundial e de modo concreto entre as populações locais e refugiados.
Vítimas inocentes, as populações civis são sacrificadas pela dor de abandonar a sua casa, a sua família, a sua terra, o seu trabalho e veem destituída a sua liberdade, a perda de bens e a separação de familiares e amigos. O cenário de guerra está a afetar muitos povos, a provocar muitos desalojados e destruições de infraestruturas básicas de ambas as partes e dos países envolvidos.
Tantas mortes, fugas dos seus territórios, aumento de vítimas de guerras e conflitos, populações inteiras entregues ao abandono, ao caos, ao fim trágico da vida.
O nosso grito de cristãos e pessoas de boa vontade, como nos pede o Papa Leão XIV deve ser uma voz que se levanta em uníssono na humanidade e na Igreja para rezarmos juntos e dizer: esta guerra não tem sentido, deve terminar já. Uma guerra nunca é a solução para resolver os problemas e conflitos das pessoas e dos povos entre si.
Como nos pede o Papa Leão XIV, rezemos pelo fim da guerra e pela construção da paz, para que seja duradoura, “desarmada e desarmante”. Faz-nos ainda nesta Quaresma, um apelo: “Esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos e nos meios de comunicação social. Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e de paz”.
Na próxima sexta-feira e sábado vamos viver um tempo forte de oração ao Santíssimo Sacramento, tempo de louvor, de adoração e de reparação ao nosso bom Deus, através da experiência espiritual, intitulada “As 24 Horas para o Senhor”. Que todas as comunidades paroquiais vivam intensamente este tempo de oração e reparação rezando pelo fim da guerra e pela construção de um mundo novo. Como São Francisco de Assis, sejamos construtores da paz e anunciadores da esperança.
A Quaresma é o tempo propício para a conversão e para buscar a paz interior, que cura e liberta do mal. Sejamos semeadores de expressões de paz no mundo de hoje, para minimizarmos os efeitos da crise humanitária consequência da guerra hoje. O valor do respeito, da tolerância, do diálogo são passos eficazes para edificar a paz.
Preparemos o Dia do Pai, valorizando a solenidade de São José nas famílias, nas comunidades e nas instituições. Juntos pela vida rezemos por todos aqueles que se sentem vítimas das injustiças e do ódio do mundo.