O Bispo de Viseu, D. António Luciano, presidiu, no passado sábado, 14 de março, ao retiro quaresmal, que decorreu ao longo do dia no Seminário das Missões, promovido pelo Secretariado da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) Viseu.
O Prelado deixou aos consagrados e batizados um forte apelo à vivência profunda deste tempo litúrgico, como caminho de preparação para a Páscoa da Ressurreição, convidando todos os fiéis a “colocar Jesus no nosso coração e no centro da nossa vida”.
Ao apresentar o tema do retiro – “És chamado por Jesus, sê protagonista da mudança” -, o Bispo desafiou os presentes a assumirem um papel ativo na transformação da vida das comunidades, acolhendo o chamamento de Cristo com disponibilidade e coragem, “em caminho sinodal, essencial para a conversão pessoal e a renovação pastoral”.
Na primeira intervenção, inspirada no Evangelho de São Marcos (Mc 1,14), D. António Luciano enquadrou o sentido espiritual da Quaresma como um convite à conversão e ao seguimento de Cristo, à semelhança do chamamento dos primeiros discípulos.
No seguimento da proposta do Papa Leão XIV, que desafia a viver uma Quaresma marcada por um “jejum de palavras” que ferem o próximo, D. António Luciano destacou a necessidade de “desarmar a linguagem”, promovendo uma escuta mais atenta do sofrimento humano.
Partindo do convite de Jesus “vinde”, o Bispo sublinhou a importância de se aprender a ver com o olhar de Deus. Para isso, sugeriu a importância de retiros como este, vivido em ambiente de oração e silêncio interior, que constitui um verdadeiro “deserto espiritual”.
“Viver com paz e serenidade este tempo de paragem quaresmal, aproveitando para descansar um pouco com Jesus, pode ser um momento privilegiado para rezar com calma e percorrer um caminho de bênção espiritual”, afirmou.
Na segunda reflexão, a partir do Evangelho de São Marcos (Mc 3,31), D. António Luciano convidou os participantes a serem verdadeiros discípulos de Cristo, desafiando-os a ler os sinais dos tempos à luz do Evangelho, de modo a compreender melhor o mundo atual.
Reconhecendo que a sociedade vive um tempo de crise – a nível social, político, económico, religioso e cultural -, D. António Luciano sublinhou que, “apesar das fragilidades, devemos amar este mundo e transformá-lo, à luz do espírito de Jesus. A partir do cântico do Magnificat, incentivou os presentes a conhecer melhor as pessoas do nosso tempo, sem esquecer o passado e sem medo do futuro, sempre com “Jesus no coração”.
O Bispo propôs ainda a realização de um “gráfico espiritual” e a criação de um espaço de oração, a partir da meditação do Benedictus e do Magnificat. Como proposta de reflexão, desafiou os participantes a procurar o que Deus pede a cada um, com bom humor e um coração desarmado.
O retiro terminou com a celebração da Eucaristia, tendo D. António Luciano desejado a todos a continuação de um fecundo caminho quaresmal e a vivência de uma Santa Páscoa.
“Com este retiro, tivemos a oportunidade de refletir sobre a importância da Quaresma, como um caminho de procura da mudança, que passa pela conversão pessoal. Além dos ensinamentos referidos, a partir do Evangelho, o nosso Bispo apresentou este retiro como um encontro e um reencontro com Deus, connosco mesmos e com a natureza. Deste retiro, resulta ainda o compromisso de fazermos o caminho do encontro, da escuta e do discernimento, na relação com Deus, na Eucaristia, nos Sacramentos e na Oração, procurando a caridade e a paz, estando perto daqueles que mais precisam”, sublinhou o Padre Victor Portugal, responsável pela CIRP Viseu.