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Certamente já teremos ouvido, em funerais ou contextos semelhantes, a afirmação bem-intencionada de que os que partem continuarão a viver na memória dos que ficam. Isto já foi dito até como frase (bonita) em pregação.

1. UMA METÁFORA BENÉVOLA

Trata-se naturalmente de uma metáfora, para indicar a vontade boa de não esquecermos os que partem antes de nós, para também rezarmos por eles, sentirmos alguma ligação com eles e, de algum modo, eles continuarem presentes na nossa vida.

Porém a afirmação continuada, quase como por moda, de tal ideia não está isenta de uma série de ambiguidades, confusões, mal-entendidos e até heresias. A proximidade da Páscoa com o episódio da ressurreição de Lázaro põe a nu o problema. Será a memória dos nossos familiares e amigos o fundamento e o garante da vida eterna?

2. É NO SENHOR QUE VIVEREMOS

Segundo o NT, nós estamos destinados à ressurreição gloriosa, mas o garante dessa vida nova é Cristo ressuscitado. S. Paulo diz que “se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo, Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido” (1 Tess 4,14), sem esquecer a conhecida afirmação de que “Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram” (1 Cor 15, 21).

Assim compreendemos que a grande causa da nossa ressurreição é a própria ressurreição de Cristo e não uma simples memória humana que, ainda que boa, seria insuficiente para garantir a nossa vida de ressuscitados. Como diz um documento de 2016, “Cristo ressuscitado é princípio e fonte da nossa ressurreição futura” (Ad resurgendum cum Christo, nº 2).

3. AFIRMAÇÃO INCLUSIVA OU EXCLUSIVA

Como dizia o Papa Francisco, “a morte é um encontro: é Ele quem vem nos encontrar, é Ele quem vem pegar-nos pela mão e levar-nos até Ele” (29-11-2019). Vemos que a vida eterna é um encontro com Cristo glorioso, que nos dá a participar a glória do Pai, no Espírito Santo, e nos associa à alegria de Nossa Senhora, dos anjos e dos santos.

Fazemos bem em nos recordar dos que partem, sobretudo para rezarmos por eles, mas sem esquecer que é em Cristo que eles vivem na alegria eterna.

A questão está em saber se a nossa afirmação é inclusiva ou exclusiva. Uma afirmação inclusiva significa afirmar a fé em Cristo ressuscitado e ressuscitador e, da nossa parte procurarmos também manter viva a memória dos nosso familiares e amigos, como expressão de amizade e de fé.

A afirmação de uma vida futura apoiada na memória não poderá ser aceite se ela for exclusiva. Com uma fé fraca ou mesmo inexistente, afirma-se um “viver na memória”, reduzindo o pensamento sobre a vida futura a um subjetivismo vazio e ineficaz, que me fecha no reino da simples imanência!

Na perspetiva cristã, Cristo ressuscitado é a causa e o modelo da nossa vida futura! Cristo ressuscitado é também a luz que nos faz viver, já aqui na terra, na esperança, no amor e na confiança!

J. Cardoso Almeida

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