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Como em muitas coisas da vida, a paz só é verdadeiramente valorizada na sua ausência. No epílogo do seu extenso livro sobre o Diálogo do Cristianismo com as Grandes Religiões (pp. 521-525), H. Küng expõe o seguinte: “Não haverá paz no mundo se não houver paz entre as religiões”. Dito de forma mais sonante: “Não haverá paz entre as nações se não houver paz entre as Religiões!”

O diálogo entre as religiões deve continuar para se conhecer melhor os crentes de outras religiões que nos são vizinhos. Pois ‘quem só conhece a sua terra, não a conhece realmente’. O Diálogo Inter-Religioso tem repercussões globais: “Ninguém negará hoje, seriamente, o muito que a paz no mundo depende da paz entre as religiões”.

Queremos deixar uma pequena diferença entre ‘ser paz’ e ‘ser pacífico’. Desta forma, entendemos que ‘ser paz’ possui um alcance de maior profundidade e intenso. Algo que é constitutivo do ser da pessoa, que lhe é essencial e fundamental. Trata-se de uma forma de viver e praticar a vida. As ações, atitudes e comportamentos serão uma consequência de ‘ser paz’. Por outro lado, ‘ser pacífico’ está ligado a uma ideia de maior transitoriedade, ocasional. Liga-se mais ao princípio da exterioridade, onde se evitam comportamentos que geram tensão e conflito. Uma pessoa pode ser ‘pacifista’, envolvida em ações de paz, mas o seu interior está tenso, em conflito, propenso a utilizar meios bélicos para construir a paz. Ser Paz é uma realidade indizível e invisível, que brota do interior, germinando a paz integral.

Nesta distinção, inspirámo-nos em Tich Nhat Hahn, no seu livro Being Peace. Este monge budista vietnamita insiste que a verdadeira paz está no interior de cada um. Os atos exteriores são a expressão desta paz ou da sua ausência. A sua perceção resume-se nisto: “Ao despertar cada manhã, sorrio. Vinte e quatro horas me esperam. Comprometo-me a viver plenamente cada instante e olhar para todos os seres com os olhos da compaixão.” Esta é plena consciência, na qual Jesus também tanto insiste, visto que a salvação acontece ‘hoje’ (‘bom ladrão’, Zaqueu).

Com frequência perseguimos a Felicidade ‘longe e fora’ e ela acontece ‘perto e dentro’, como magistralmente lembrava S. Agostinho nas Confissões. Se nos encontramos em paz, se estamos felizes, poderemos sorrir e florescer e todos na nossa família, na nossa sociedade, beneficiarão da nossa paz, insiste Hahn.

Refletir, rezar, meditar, ou outras expressões de espiritualidade, não são formas de nos desenraizar da sociedade e dos problemas, uma espécie de ‘escapismo’; na verdade, são meios que nos equipam e capacitam para nos reintegrar na mesma, como folhas que, nutridas pela árvore, a embelezam produzindo a ‘sombra’, que beneficiará a tantos!

Pe. Virgílio Rodrigues

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