Open/Close Menu A Diocese de Viseu é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica em Portugal

Comentava, num destes dias, com um colega que provavelmente, dos compromissos presbiterais, a promessa de “reverência e obediência” no dia da ordenação é das mais difíceis de pôr em prática, mas certamente não impossível.

Do ponto de vista eclesiológico, cada diocese entregue a um Bispo é chamada de Igreja, que forma com todas as dioceses em unidade com Roma a única Igreja universal. Mas essa afirmação não retira nada à máxima: “Ubi episcopus, ibi Ecclesia” (onde está o Bispo aí está a Igreja), expressão atribuída a S. Inácio de Antioquia, já no século II. É também por causa dessa verdade que se diz o nome do Bispo de uma diocese na oração eucarística. Dizer o nome do Papa e do Bispo é quase um “selo de garantia” da eclesialidade de uma certa comunidade e de um determinado ministro ordenado. Entre a Igreja universal e as Igrejas particulares há como uma “pericorese” (inabitação recíproca), à maneira do mistério trinitário. A relação universal-particular é, sem dúvida, uma das dimensões fundamentais da comunhão eclesial. Todos os cristãos, mas de modo sacramental os presbíteros e os diáconos, só se compreendem numa missão de unidade com o Bispo.

Como escrevia São João Paulo II: “A comunhão eclesial da assembleia eucarística é comunhão com o próprio Bispo e com o Romano Pontífice. Com efeito, o Bispo é o princípio visível e o fundamento da unidade na sua Igreja particular. Seria, por isso, uma grande incongruência celebrar o sacramento por excelência da unidade da Igreja sem uma verdadeira comunhão com o Bispo. Escrevia S. Inácio de Antioquia: «Seja tida como legítima somente aquela Eucaristia que é presidida pelo Bispo ou por quem ele encarregou».

De igual modo, visto que «o Romano Pontífice, como sucessor de Pedro, é perpétuo e visível fundamento da unidade não só dos Bispos mas também da multidão dos fiéis, a comunhão com ele é uma exigência intrínseca da celebração do sacrifício eucarístico” (Ecclesia de Eucharistia, 39).

Do ponto de vista pastoral, daqui emergem duas conclusões muito simples: a unidade com o Bispo e o Papa é “exigência intrínseca” da celebração, pelo que, sem essa unidade, tudo o que se celebra não tem sentido… e, ao mesmo tempo, essa unidade não pode ser apenas dita teoricamente, mas vivida concretamente.

Por isso, que sentido faz viver em desunidade com o próprio Bispo ou com o Santo Padre e depois celebrar a Eucaristia em que se diz que estamos unidos a eles? Trata-se simplesmente de uma mentira.

A unidade ao Bispo e ao Papa não pode ser apenas algo teórico, mas tem de ser vivida no dia-a-dia. E o primeiro passo está em nos colocarmos numa atitude de alguma humildade, sabendo que sem a unidade não existimos como presbíteros e damos contra-testemunho como cristãos.

Enfim, por vezes é moda criticar, mas temos de repensar o nosso saber ser e saber estar. Lembremos que a unidade não é facultativa na Igreja, mas faz parte da sua essência e precisa de ser testemunhada.

Padre José Cardoso de Almeida

CategoryBispo, Diocese, Igreja

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