A Província Portuguesa da Congregação da Missão (Padres Vicentinos) viveu, no passado dia 18 de julho, um momento de particular alegria com a ordenação presbiteral do Padre António José Clemente, CM, atualmente integrado na comunidade dos Padres Vicentinos de Viseu e ao serviço pastoral da Diocese de Viseu, na Paróquia de Campo de Madalena e no Colégio da Imaculada Conceição.
A celebração decorreu na Igreja de São Tomás de Aquino, em Lisboa, e foi presidida por D. Nélio Pereira Pita, CM, Bispo Auxiliar de Braga e vicentino, que, pela imposição das mãos e pela oração de ordenação, conferiu o presbiterado ao Diácono António José Clemente. Na mesma Eucaristia foram ordenados diáconos os missionários vicentinos Pedro Júlio Miranda, CM, e Vilarino Calisto, CM, da Vice-Província de Moçambique.
Participou também na celebração D. Augusto César, Bispo Emérito da Diocese de Portalegre – Castelo Branco, também membro da Congregação da Missão, juntamente com sacerdotes provenientes de várias dioceses e congregações religiosas. A numerosa assembleia tornou visível a comunhão da Igreja em torno dos novos ministros ordenados e da missão que agora lhes é confiada.
Entre os participantes encontravam-se pessoas vindas de diferentes pontos do país, representantes dos vários ramos da Família Vicentina, familiares, amigos e membros das comunidades onde o Padre António José Clemente já exerceu o seu serviço pastoral ou onde está presente a Família Vicentina, desde Chaves até ao Funchal.
Foi particularmente significativa a presença de um numeroso grupo da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Alferrarede, terra natal do novo sacerdote, pertencente à Diocese de Portalegre – Castelo Branco. Estiveram também presentes fiéis de várias paróquias da Diocese de Viseu, membros dos Colaboradores da Missão Vicentina da mesma diocese e representantes da comunidade educativa do Colégio da Imaculada Conceição.
Para o seu ministério presbiteral, o Padre António José Clemente escolheu como lema “Enviou-me a anunciar a Boa Nova aos pobres” (cf. Lc 4, 18). Estas palavras, profundamente ligadas ao carisma de São Vicente de Paulo e à missão da Congregação da Missão, exprimem o desejo de viver o sacerdócio como serviço missionário, levando o Evangelho especialmente aos pobres e às periferias humanas e espirituais.
Em plena sintonia com este lema, D. Nélio Pita partiu, na homilia, das palavras do profeta Isaías – “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu” – para recordar que a unção atravessa toda a vida cristã, desde o Batismo e a Confirmação até ao sacramento da Ordem. Referindo-se à unção das mãos do novo presbítero, o bispo descreveu-as como “mãos frágeis, mãos vazias, mãos por vezes feridas”, mas, ainda assim, necessárias para que continue a realizar-se a obra de santificação do Povo de Deus.
A expressão “é para sempre” marcou vários momentos da homilia. D. Nélio Pita recordou ao novo sacerdote que a ordenação imprime um carácter permanente e o compromete, para toda a vida, com um caminho de progressiva identificação com Cristo, sumo sacerdote e bom pastor.
Dirigindo-se também aos novos diáconos, o bispo apresentou a passagem de Isaías como um verdadeiro programa de vida e de missão: anunciar uma mensagem de esperança, curar as feridas de uma humanidade dilacerada, promover a liberdade dos que vivem cativos e proclamar o tempo da graça do Senhor.
Esta missão possui uma ressonância particular na espiritualidade da Congregação da Missão, fundada por São Vicente de Paulo para a evangelização dos pobres e a formação do clero. Como recordou D. Nélio, a profecia de Isaías, assumida como lema vicentino – “Enviou-me a evangelizar os pobres” – deve tornar-se uma regra de vida para cada missionário.
O bispo ordenante exortou os novos ministros a colocarem Cristo no centro do seu modo de ser e de agir, vivendo as cinco virtudes próprias da espiritualidade vicentina: simplicidade, humildade, mansidão, mortificação e zelo. Estas virtudes, afirmou, são traços que ajudam a desenhar no coração humano a imagem de Cristo e a permanecer fiel à missão recebida.
Um dos apelos mais fortes da homilia foi o de compreender o ministério não como privilégio, mas como serviço: “Ser escolhido não é ser privilegiado, mas aceitar ser servo de todos; não é estar acima, mas caminhar ao lado, seguindo o bom pastor”.
D. Nélio Pita convidou ainda os novos ordenados a colocarem o amor antes de qualquer técnica ou competência pastoral, citando o arquiteto Antoni Gaudí: “Para fazer as coisas bem, primeiro o amor. Depois a técnica”. O primeiro dever do sacerdote e do diácono, sublinhou, será sempre amar, inclusive quando esse amor implicar renúncia, sacrifício e entrega.
No final, o Bispo garantiu aos novos ministros que não estarão sozinhos no exercício da missão. O Senhor que os chamou continuará a conceder-lhes a graça da fidelidade, através da comunhão da Igreja, da família dos batizados e, de modo particular, da Família Vicentina.
A ordenação do Padre António José Clemente constitui também um particular motivo de ação de graças para a Diocese de Viseu, onde atualmente vive e exerce o seu ministério. A Igreja diocesana associa-se, assim, à alegria da Congregação da Missão e acolhe com gratidão o serviço deste novo presbítero, chamado a servir o Povo de Deus com coração missionário, em comunhão com o Bispo, o presbitério e as comunidades e serviços pastorais que lhe forem confiados.