Após um tempo de descanso e de descontração pessoal e social, para quem o pôde fazer, através de umas merecidas férias, olha agora para o regresso. O tempo, que se aproxima é para voltar de novo ao lar, às atividades profissionais, escolares, académicas e espirituais com uma renovada esperança no futuro, com novo vigor, força interior e compromisso de amar e de fazer bem todas as coisas.
Amar sempre e sem medida, redescobrir o segredo de amar e com ajuda do Espírito Santo fazer novas todas as coisas. A palavra amar é fundamental na vida das pessoas, nas relações interpessoais e sociais, no mundo secular, na vida da Igreja e na sociedade.
Quem ama entrega-se ao outro e serve com disponibilidade e alegria. Cada pessoa humana, crente, ou não, às vezes por caminhos diferentes, anda à procura de algo mais profundo e íntimo, que dê sentido à sua vida.
O salmo 62 e Santo Agostinho chamam-lhe: “Ter sede de Deus”. “Senhor sois o meu Deus desde aurora vos procuro, a minha alma tem sede de vós” (Sl 62). Deus é Amor e dá-se amando…
Santo Agostinho e muitos santos fizeram grandes pregações e reflexões, dando mesmo testemunhos sobre este caminho e desejo de busca de Deus.
As férias são sempre uma bênção de Deus, uma recompensa pelo trabalho realizado e uma oportunidade para carregar de novas energias a vida humana, espiritual e social.
Os dias de mudança de ambiente, na praia, na montanha, no campo, em atividades lúdicas, desportivas, passeios, retiros ou formação humana e espiritual são sempre um momento único para nos refrescar e fazer uma experiência de encontro pessoal com Deus, connosco, com os outros e com a natureza.
O ser humano deve aprender a ser um buscador de Deus, da verdade, do bem, da verdadeira liberdade e da paz.
Amar a Deus, amar a Igreja, amar alguém que precisa, seja familiar, ou outra pessoa, requer sempre uma atitude de disponibilidade, acolhimento, aceitação, entrega e serviço. Amar é dar e receber… Amar sempre e sem medida, sem esperar receber nada em troca.
Este deve ser o percurso de cada ser humano, viver a vida em caminho de santidade. Este foi o exemplo de Jesus, de Maria de Nazaré e de muitos Santos, que buscaram a Deus e procuraram fazer sempre a sua vontade.
Este mês foi rico de testemunhos com tantas festas em honra de Nossa Senhora e de tantos santos padroeiros.
Cada comunidade viveu com entusiasmo a alegria da festa, que a fé convocou e a comunidade humana e eclesial celebrou.
O verbo amar está sempre na linha da frente, por isso deve ser bem conjugado com horizonte de vida e de esperança, desaguando no mar imenso dos desafios, que o verbo amar, servir e cuidar hoje nos apontam como projeto de realização pessoal e comunitário.
Deixo apenas estes exemplos: A celebração da Solenidade da Assunção de Maria (15), padroeira da nossa Catedral e titular de tantas paróquias e capelas; a solene celebração da Festa Jubilar de Santa Beatriz da Silva (18 e19), no Convento das Irmãs Concepcionistas da Imaculada Conceição, no Viso-Viseu, nos 100 anos da Beatificação e nos 50 da Canonização; o Instituto de Jesus, Maria e José, a celebrar os 20 anos da Beatificação da Beata Rita Amada de Jesus e a realização do Capítulo da Província Portuguesa (21,22,23), que encerrou no Domingo na Casa Provincial em Ovar, Diocese do Porto, em que foi eleita a nova Provincial e o seu Conselho, estando presente a Madre Geral, que se descolou do Brasil para participar no ato; a festa Anual da Liga dos Servos de Jesus (28 e 29), que se vai realizar na Guarda, para evocar o Venerável Servo de Deus, D. João de Oliveira Matos, que foi ordenado sacerdote, na Capela do Paço de Fontelo, em Viseu.
Peço ao povo de Deus, que reze pelos bons frutos do Simpósio do Clero de Portugal, que vai realizar-se em Fátima de 31 de agosto a 3 de setembro e por todos os seus participantes.
A todos os que regressam de férias, desejo que venham com as baterias carregadas. A quem for de férias, que as goze na aprendizagem da linguagem do amor. Amar, cuidar e servir são três verbos, que se completam reciprocamente e realizam quem os põe em prática.
Nota: Dia de Santo Agostinho, 28 de agosto.
António Luciano, Bispo de Viseu