A fonte da Vida e do Amor não se esgota, é perene, porque tem a sua nascente em Deus.
Deus toma sempre a iniciativa, Ele ama-nos primeiro e só espera que nós aceitemos o seu amor e a sua vida. Nós devemos responder com disponibilidade interior, com generosidade e fé, acolhendo a vida nova, que nos é oferecida como dom de amor e de salvação.
A vida é o maior dom e o amor é a expressão máxima de viver com dignidade a nossa existência humana. O Papa Francisco dizia: “Não podemos deixar de afirmar que o desejo e a busca do bem dos outros e da Humanidade inteira implicam também procurar um desenvolvimento das pessoas e das sociedades nos distintos valores morais que concorrem para um amadurecimento integral” (FT, 112).
O amor universal promove as pessoas e realiza-as. Amar os irmãos sem medida, isto é, sem requisitos prévios, cuidar sem calculismos de interesse pessoal ou comunitário, mas fazer o bem.
“Para se caminhar rumo à amizade social e à fraternidade universal, há que fazer um reconhecimento basilar e essencial: dar-se conta de quanto vale um ser humano, de quanto vale uma pessoa, sempre e em qualquer circunstância” (FT, 106). Devemos amar livremente, com gratidão e espírito de serviço, com respeito, equidade, responsabilidade, porque somos queridos e amados por Deus, convidados a viver em comunhão plena de vida com o Criador.
Santo Inácio de Loiola tem uma máxima muito rica: “Em tudo, amar e servir Jesus”. Depois, servir o próximo com a mesma medida.
É no amor que aprendemos a cuidar das pessoas e da Criação como nos recorda o Papa Leão. “A inteligência criativa do ser humano é um dom que pode aliviar sofrimentos e abrir novas possibilidades, mas deve permanecer orientada ao bem comum, à justiça, ao cuidado dos mais frágeis e da criação” (MH, 129).
No passado dia 1 de setembro, a Igreja assinalou o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. Na sua mensagem para este dia, o Santo Padre escolheu como título “Transformarão as suas espadas em relhas de arados e as suas lanças em foices” (Isaías 2, 4). É um apelo à construção da civilização do amor, principalmente nestes tempos marcados por “um mundo em estado de beligerância permanente”, onde tantos males acontecem através dos acontecimentos destruidores da vida humana e do ambiente.
As alterações climáticas, o flagelo dos incêndios, as guerras, a destruição de cidades, equipamentos, florestas e campos com bombas e mísseis, os sismos e outras calamidades recentes, além de causarem a morte, alteram a paisagem e destroem a natureza, que se mostrava como um verdadeiro jardim. Só em Deus e no seu amor podemos encontrar a força para superar tantos sofrimentos humanos e aceitar na fé a destruição da própria natureza. Todos estes acontecimentos sombrios e negativos são um convite à oração pessoal, a um desejo de paz duradoira, a uma experiência de tranquilidade e cuidado do nosso mundo, da Criação com o compromisso da solidariedade e da partilha de bens, com quem mais precisa. O amor ao próximo é fundamental na vida das pessoas, quer sejam crentes, ou andem à procura de algo mais de profundo e concreto na sua vida.
Amar a Deus, amar a Igreja, amar as pessoas, amar alguém que seja familiar, próximo ou necessitado, requer sempre uma atitude de acolhimento, de escuta, de aceitação e de entrega.
Aprende-se a amar, quando nascemos e somos acolhidos nos braços da nossa mãe e do nosso pai. A família, o berço, é a primeira escola onde se aprende a amar. O nascimento de um filho é um momento de alegria, de festa e de grande significado para os pais, família e comunidade. Aprende-se a amar com os afetos, no ventre materno, no nascimento, no crescimento familiar, na educação para os valores, um trabalho feito pelos pais, irmãos, avós e familiares.
A integração na sociedade, através da relação com os amigos; na Igreja, através da catequese; e na escola, através do contacto com os professores e os colegas, constitui um espaço natural de crescimento e de desenvolvimento integral e saudável.
+ António Luciano, Bispo de Viseu