Open/Close Menu A Diocese de Viseu é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica em Portugal

Meditemos com fé e gratidão a sua entrega ao Pai

 

  1. A entrada triunfal de Jesus na cidade Santa de Jerusalém é para todos os cristãos uma oportunidade única para refletirmos sobre a nossa verdadeira relação pessoal com Jesus Cristo.

Ao ouvir o relato do Evangelho da entrada de Jesus na cidade santa de Jerusalém, podemos perguntar-nos o que levou Jesus a tomar esta decisão de entrar em ambiente de festa na cidade montado num jumentinho?

Eis que vem o Rei da glória para dar sentido à nossa vida e nos salvar. Jesus tinha necessidade de vir ao nosso encontro, de celebrar a Páscoa com os seus discípulos. Este foi o modo de os preparar. Ele é na verdade o rei de Israel. Bendito o que vem em nome do Senhor! “Hossana! Hossana nas alturas! Bendito o nosso Rei, que vem para salvar o seu povo!

 

  1. A proclamação do Evangelho da Paixão no início da Semana Santa é para cada um de nós e para a sua Igreja um convite escutar com fé os passos que levaram Nosso Senhor Jesus Cristo a aceitar voluntariamente a morte de Cruz para remissão dos nossos pecados.

Contemplemos os gestos de Jesus na instituição da Eucaristia, na condenação, no sofrimento que aceitou livremente, no mistério da sua Paixão e Morte na Cruz, na sua sepultura, esperando a sua gloriosa Ressurreição. Vivamos esta Semana Santa como um verdadeiro retiro espiritual e agradeçamos a Jesus o dom da Redenção que ofereceu a todos nós.

Jesus continua hoje a ser condenado à morte em tantas pessoas inocentes e perseguidas, tantas vítimas de perseguição, de ódio, de violência e maldade e inveja dos homens, vendo-se impedidas de viver a sua liberdade e a sua fé com dignidade.

 

  1. O sofrimento de Cristo continua vivo e atual hoje nos membros do seu Corpo, a Igreja. São Paulo convida-nos com os nossos sofrimentos a completar na nossa carne o que falta à Paixão de Cristo, em benefício do Seu corpo que é a Igreja.

O sofrimento, a dor e a morte continuam a ser um mistério insondável na nossa vida e no nosso mundo. Saibamos agradecer a Jesus o dom de tantas pessoas, que dedicam a vida a cuidar dos doentes e aliviar com o seu serviço e a sua presença amiga as dores do próximo. Olhando para tantos cenários de guerra e de morte na Ucrânia, na Rússia e em tantas partes do mundo, onde a violência, a destruição, o ódio e a vingança abundam e imperam, ceifando milhares devidas humanas, olhemos para Jesus pedindo-lhe, que pelas suas santas chagas cure as nossas feridas, alivie as nossas dores e perdoe os nossos pecados.

Fomos redimidos e salvos pela morte de um inocente. Jesus é condenado à morte por amar e fazer o bem. Quanta pessoas inocentes são perseguidas pela sua fé e pelo bem que realizam. Quantas pessoas inocentes continuam hoje a ser condenadas à morte e a morrer vítimas de injustiças, guerras e conflitos.

Lembremos os que morrem sozinhos em suas casas, abandonados pela família, vítimas da guerra, do Covid-19, de doenças incuráveis e súbitas, nos hospitais superlotados, com doenças mentais, ou marginalizados da sociedade. Concedei Senhor a todos a saúde, a recompensa e a paz. Não nos cansemos de dizer: O Senhor salvou-me, porque me tem amor. Rezemos muitas vezes esta prece e agradeçamos na fé o dom da salvação. Jesus morreu para nos salvar. Um grande gesto de amor e de entrega incondicional à vontade do Pai.

Olhemos para Aquele que morreu na Cruz. Jesus o nosso Redentor deu a vida por nós, sofreu por nós. Salvou-nos e redimiu-nos da miséria do pecado e da morte eterna, amou-nos até ao fim e purificou-nos com o seu Sangue. O Senhor salvou-me porque me tem amor.

 

  1. Contemplemos Jesus, que morreu na Cruz e deu a vida por nós. Aprendamos nós também a morrer para os nossos egoísmos, para os nossos pecados, para dar a vida pelos nossos irmãos. Lembremos nesta Eucaristia as crianças, os jovens, as famílias, os refugiados, os migrantes, os presos, os condenados à morte e todos aqueles, que são perseguidos por causa dos seus ideais, dos seus valores e da sua fé.

Como Maria e João aprendamos a estar sempre junto de Jesus ao pé da Cruz. De pé com Maria e João meditemos com fé e esperança pascal os passos da sua Paixão e Morte na Cruz. Jesus no calvário deu-nos Maria por Mãe e entregou a João para cuidar dela,

Na Cruz de Jesus todos fomos salvos! Ele deu a vida pelos pecadores. Jesus na hora de maior sofrimento, na sua angústia, na sua Paixão encontra conforto no coração do Pai. “Pai nas vossas mãos entrego o meu espírito”. No mistério da Santa Cruz no calvário encontremo-nos com Jesus e olhemos para todos os que sofrem com compaixão e ternura, aprendo a ser cada vez mais verdadeiros discípulos missionários. Diante de Jesus o crucificado, aprendamos a fazer silêncio e a rezar por nós e pela humanidade que continua a esperar a salvação. Jesus foi fiel ao projeto do Pai até ao fim. “Tudo está consumado”.

Com a Sua Paixão e Morte Jesus revela a sua mansidão, a sua bondade, a sua inocência. Jesus apresenta-se como Rei na Cruz para nos ajudar a refletir sobre o valor da vida humana, o sentido da morte, a rejeição dos amigos e o acolhimento dos pecadores. O testemunho do centurião presenciado a morte de Jesus exclama: “Na verdade este homem era Filho de Deus”. O véu do templo rasgou-se de alto abaixo. O seu coração abriu-se e dele jorrou sangue e água. Os amigos de Jesus pediram o corpo a Pilatos e deram-lhe sepultura num túmulo novo no jardim. Aí permaneceu até ao amanhecer da Páscoa.

Contemplemos a Cruz das JMJ e o ícone de Maria “Salus Populi Romani”, que estes dias estão em peregrinação pela nossa Diocese de Viseu, a caminho da celebração das JMJ, de 1 a 6 de agosto de 2023 em Lisboa.

Agradeço a Deus este dom, esta oportunidade e peço a Jesus e Maria, que nos guardem sempre no caminho da paz e do bem.

Partilhemos hoje a nossa renúncia quaresmal, que se destina uma parte à Diocese de São Tomé e Príncipe, outra a uma comunidade dos Missionários Combonianos no Congo e outra parte para ajudar as maiores necessidades da Diocese de Viseu.

Unidos ao mistério do sofrimento de Cristo na Sua Paixão e Morte   na Cruz, sejamos reconciliados com Deus e com os irmãos, caminhando ao longo desta Semana Santa com alegria e confiança para a Páscoa da Ressurreição. Nós cristãos somos convidados a anunciar ao mundo, Cristo crucificado, ressuscitado, o nosso Rei, o nosso Redentor.

 

Viseu, 10 de abril de 2022
† António Luciano, Bispo de Viseu
CategoryBispo, Diocese

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