Open/Close Menu A Diocese de Viseu é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica em Portugal

Mais uma vez nos reunimos para celebrar a vida, a fé, a beleza interior e espiritual, a vocação cristã e a consagração a Deus e à Igreja de Santa Beatriz.

Toda a nossa felicidade está em Deus e no projeto de sermos dóceis e fiéis à nossa vocação. A celebração solene da Eucaristia convida-nos a centrar toda a nossa vida no mistério de Cristo, Pão Vivo descido do Céu, cume e fonte de toda a vida espiritual da Igreja.

Santa Beatriz viveu a sua vocação batismal na fidelidade ao Evangelho, tornando-se um desafio para todos os fiéis, consagrados e leigos a viver a vocação cristã com radicalidade e testemunho espiritual. “Só Deus Basta!” Por isso, desposou a Cristo, vivendo a santidade de vida através do dom da virgindade, da pobreza e da obediência.

Santa Beatriz procurou fazer sempre a vontade de Deus: na corte de Espanha, no convento de Toledo, onde se recolheu numa vida de silêncio, de oração e de contemplação para saborear o mistério de Deus. Na busca constante de procurar a vontade de Deus e de mergulhar no seio da Trindade, descobriu a sua vocação de consagração na contemplação, através da fidelidade ao carisma de fundadora recebido de Deus. Enamorou-se verdadeiramente pelo Senhor. Imitando a vida de Maria Imaculada, procurou viver intimamente unida a Maria, imitando as suas excelsas virtudes.

Como uma bela flor do jardim da Igreja, exalou o perfume da santidade, sinal visível da presença e beleza da açucena virginal de Maria (flor do monte Carmelo), cultivada no oásis do silêncio sobrenatural que se respira no mosteiro. Envolvendo a sua vida num projeto de graça e de paz, promoveu com simplicidade a candura da sua beleza espiritual, e ofereceu a todos nós o dom da felicidade espiritual, que tem a sua nascente em Deus.

Santa Beatriz, conduzida pelo Espírito Santo, começa a dar os primeiros passos na sua missão de consagrada como Fundadora de uma nova família religiosa, as “Irmãs Franciscanas Concepcionistas da Imaculada Conceição”, seguindo o espírito de pobreza de Francisco e de Clara de Assis. Despojada de si mesma e de tudo o que é mundano, inspira a sua vida religiosa numa profunda comunhão e devoção a Nossa Senhora, centrada sobretudo no mistério da Imaculada Conceição. O ideal que anima Santa Beatriz a viver a sua virgindade em pureza, na castidade, na pobreza, na obediência e no desprendimento, levam-na a colocar na vida de Maria Imaculada, todo o seu ser confiando à “Estrela da Manhã” todas as suas interrogações e projetos, num desejo de encontrar a sabedoria e a luz que dê resposta aos seus maiores desejos espirituais. A alegria e o testemunho de vida fraterna são a antecipação da esperança escatológica nas promessas de Cristo, primeiro e último sustentáculo da perseverança da vida espiritual de uma vida consagrada. “A alegria de viver, mesmo no meio das dificuldades do caminho humano e espiritual e dos aborrecimentos quotidianos, já faz parte do Reino. Esta alegria é fruto do Espírito e envolve a simplicidade da existência e o tecido monótono do quotidiano. Uma fraternidade sem alegria é uma fraternidade que se apaga” (O dom da Fidelidade, a alegria da Perseverança, Orientações, nº 42).

Também Santa Beatriz foi provada pelo sofrimento interior e por aquele que provinha de fora, muitas vezes causado por aqueles que lhe eram próximos e familiares. Na fidelidade ao Senhor e na docilidade ao Espírito Santo, cresce na prática do bem, luta contra o espírito da carne e cultiva a virtude da constância numa entrega em humildade, que a leva a superar os contratempos da vida nas mais diversas circunstâncias.

Nunca deixou que o desanimo vencesse as moções interiores, que acompanhavam espiritualmente a sua entrega incondicional ao Senhor na consagração virginal e na contemplação do mistério de Deus escondido.

Aprendeu a viver com humildade e simplicidade a graça de ser verdadeiramente esposa de Cristo, numa entrega total e incondicional ao mistério da cruz e do crucificado, ressuscitado em plena fidelidade ao carisma que Deus lhe concedeu. A sequela Christi realiza-se no mistério Pascal, no qual os consagrados e consagradas são chamados por vocação a viver o discipulado e o seguimento, como uma resposta de amor que implica a total adesão a Cristo no dom de toda a vida, se necessário até à oferta de si mesmo no martírio.

Pouco tempo durou este sonho e esta experiência mística, pois a sua vida de jovem religiosa e fundadora, viveu tão intensamente esta graça num curto espaço de tempo, que deixou como testamento às suas filhas espirituais a sua consagração religiosa,  projetada na Bula do Papa Bonifácio VIII, que deu reconhecimento Pontifício à sua Ordem Religiosa, caminho de perfeição para todas as suas seguidoras, na comunhão de amor com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

O desprendimento interior vivido por Santa Beatriz, libertando-se dos bens materiais e dos prazeres do mundo, assumem para ela um estilo de vida cristã, que a levou a procurar um caminho de perfeição, de consagração plena da sua vida na fidelidade à aliança esponsal, na verdade, na humildade e na santidade, meio para alcançar o mais alto grau de contemplação espiritual.

Como esposa fiel de Cristo, filha predileta da Igreja, procura através do seu sim a Deus realizar um desígnio de amor esponsal na busca da verdadeira sabedoria, que ilumina toda a sua vida. Santa Beatriz soube, na contemplação e adoração de Jesus na Eucaristia, entrar no mistério da Cruz e assim transformar o sofrimento da sua vida em dom de Páscoa, e, com o Ressuscitado, alcançar bênçãos e graças para a Igreja e para o mundo.

O abandono constante à vontade de Deus e a realização do maior bem sobrenatural, levam-na, perante as dificuldades e os desafios, a encontrar criatividade na oração e luz para iluminar os seus passos e assim buscar, acima de tudo, o grande desejo de viver a confiança ilimitada no Senhor, que nos oferece a vida em abundância. Como santa Teresa de Jesus, pode repetir: Só Deus basta”! A Deus nada é impossível, Ele tudo pode, porque é o dono da nossa vida. Cristo é o ícone da fidelidade, da perseverança, no dom espiritual da contemplação.

Para Santa Beatriz, abraçar os conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência, longe do barulho e prazeres do mundo, foi uma experiência de fé vivida na alegria do silêncio interior, que se respira num convento. Foi deste oásis de clausura que brotou o espírito de oração e contemplação, que fizeram chegar ao mundo e à Igreja o perfume do bom odor de Cristo. Este perfume de santidade contagia aquelas que seguem na vocação os seus passos e fazem de tantos mosteiros espalhados pelo mundo verdadeiros jardins onde se cultivam as virtudes espirituais.

A atualidade da vida e do carisma de santa Beatriz bem precisa de ser conhecida, acolhida e amada por todo o povo de Deus, de modo que, como ela, todos experimentemos em Deus uma vida feliz e santa. Beatriz é feliz, porque escolheu Deus, soube escolher a melhor parte, rejeitando as riquezas e os prazeres da corte e do mundo. Praticou com audácia a paciência e a constância no bem. Soube amar a Deus sem esquecer as necessidades dos irmãos. Também nós, como ela, seremos felizes se fizermos a vontade de Deus e vivermos a vocação cristã na provação, confiantes no Espírito Santo, o Paráclito que nos protege, ensina todas as coisas e nos conduz à verdade plena. Na fidelidade e radicalidade do seguimento de Cristo, imitemos as virtudes de Santa Beatriz, que nos chama a percorrer o caminho da santidade na heroicidade do testemunho cristão.

A vida contemplativa é um sinal maravilhoso da presença do Reino de Cristo no mundo. A vida contemplativa vivida no silêncio do mosteiro, através da fecundidade da oração, da meditação e da contemplação dos mistérios divinos, torna-se um dom para toda a Igreja. Vivamos com alegria e testemunho cristão a nossa vida de fé e de esperança pascal, procurando fazer de cada comunidade paroquial um convento espiritual, onde Deus mora e se revela aos simples e pequeninos do Reino. Maria Imaculada, a fiel serva do Senhor, ajude os cristãos e todas as monjas contemplativas a cultivar a virtude da pureza, da meditação e contemplação, procurando, através da oração, fugir das ocasiões de pecado e de toda a espécie de mal, causador da desordem moral no mundo e de enfraquecimento espiritual da Igreja.

Oração final: Ó santa Beatriz, Virgem ornada de sabedoria divina, marcada pela graça sobrenatural, com uma estrela na fronte, sinal da luz que vem do alto, ilumina a nossa vida, com a beleza da santidade, que floriu no teu coração virginal.

Intercede por nós Santa Beatriz, junto de Maria Imaculada e concede-nos a graça de sermos puros no corpo e na alma, alegres na provação; dá-nos a graça de sermos felizes na terra, para contigo contemplarmos a Deus na glória do Céu. Ámen.

Santa Beatriz, cuida de todos os cristãos, protege os leigos, fortalece os sacerdotes, estimula os consagrados e consagradas no caminho da santidade, guarda as crianças, adolescentes e jovens e favorece um clima favorável ao aumento das vocações contemplativas na Igreja.

Viseu, Convento de Santa Beatriz, 17de agosto de 2022

+ António Luciano dos Santos Costa, Bispo de Viseu

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