Open/Close Menu A Diocese de Viseu é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica em Portugal

A paciência é dos bens mais raros e dos tesouros mais preciosos. É das virtudes que mais admiramos nos outros e de que mais sentimos necessidade. Quem alguma vez não se lamentou de ter perdido a paciência? Quem é que não fez propósitos de exercitar mais a paciência para a oferecer aos outros?

A paciência é uma virtude humilde e discreta. Não dá espetáculos, mas age com a simplicidade dos que, sem chamar a atenção sobre si, são eficazes. Consiste em saber aguentar, com espírito positivo, as contrariedades e sofrimentos, as situações e pessoas difíceis. Indo à raiz latina da palavra, paciência significa a capacidade ou a arte de saber sofrer. (…)

Conhecemos as tentações que procuram roubar-nos o tesouro da paciência. Perante uma situação difícil, em que a impaciência nos bate à porta e chega mesmo a entrar, importa estar de sobreaviso contra as seguintes soluções aparentes que nada resolvem e só complicam o que já não é fácil:

– Descarregar a nossa impaciência sobre os outros. Não é justo fazê-lo, pois podem não ter culpa alguma. A impaciência gera o círculo vicioso da impaciência, assim como a paz cria mais paz. Se é verdade que que a paciência tudo alcança, também é verdade que a impaciência nada consegue e tudo deita a perder…

– Protestar contra Deus, contra o destino e a má sorte. Deus não pode ser fonte de algum mal, mas só de graça e de bem. O destino fatal não existe, pois Deus nos criou livres e, quando amamos de verdade, «tudo concorre para o bem» (Rm 8, 28), por mais difícil e doloroso que seja. Esta foi a tentação em que caiu Job, mas soube converter-se e ser um apóstolo da paciência, ficando proverbial a paciência de Job. A nossa paciência será de superior qualidade, quando for um espelho da infinita paciência de Deus connosco.

– Abandonar-nos ao desânimo e à tristeza. Deus criou-nos para a felicidade e não para a angústia. Importa, como exorta S. Paulo, revestirmo-nos de sentimentos de paciência (Col 3, 12) e resistir às seduções da impaciência. (…)

Há duas irmãs gémeas que nós devemos tratar com toda a solicitude e amizade: a paciência connosco mesmos e a paciência com os outros. Quem não exercita a paciência consigo próprio, dificilmente a consegue transmitir aos outros. Tornamo-nos pacientes na medida em que, humilde e perseverantemente, nos dispomos a recomeçar, cada dia, o bom combate da paciência.

Para concluir, demos a palavra ao apóstolo S. Tiago: «Sede, pois, pacientes, irmãos, até à vinda do Senhor. Vede como o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando pacientemente as chuvas temporãs e as tardias. Sede pacientes também vós e fortalecei os vossos corações» (Tg 5, 7-8). Não é verdade que só temos a ganhar com ser pacientes? Mais: assim, não ganharão também, e muito, os que vivem ao nosso lado?

Pe. Manuel Morujão S.J

In Viver com Qualidade, A.O

CategoryIgreja

© 2016 Diocese de Viseu. Todos os direitos reservados.
Desenvolvimento: scpdpi.com

Siga-nos: