Open/Close Menu A Diocese de Viseu é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica em Portugal

A Paz esteja convosco! Hoje, 1 de janeiro, celebramos o 59.º Dia Mundial da Paz.

Cristo é a nossa paz e, se nós quisermos, faz nascer em nós um mundo novo cheio de esperança e fidelidade.

A paz é um dom de Deus, “tem o sopro da eternidade” e é uma conquista do “coração de cada ser humano”. Um bem precioso e, cada vez mais, raro e caro na era da globalização. “A paz existe, deseja habitar-nos, tem o poder suave de iluminar, de alargar a inteligência, resiste à violência e a vence”, como diz o Papa Leão XIV na sua mensagem para este dia.

A palavra paz suplica sempre o dom e a presença do Ressuscitado na nossa história. A Paz desarmada e desarmante é a Paz pascal.

Cenários de guerra, sinais de violência, sombras profundas e morte em tantas nações do mundo levam-nos a reconhecer, com profunda tristeza, o drama que o Papa Francisco definiu como uma “terceira guerra mundial em pedaços”. Diante dessa realidade, somos levados a perguntar: porque surge a violência? Ela nasce onde falta amor, comunhão, diálogo e partilha, onde não há fraternidade, relações sadias, convivência pacífica e aceitação do outro. Nesse vazio, germinam conflitos, guerras provocadas pelo ódio, inveja, ciúme, indiferença, autoritarismo e maldade. A divisão é sempre algo negativo e instala-se, enfraquece a vida, gera violência e espalha desordem, provocando sofrimento, tristeza e morte.

A ausência de paz desafia a liberdade e a responsabilidade criativa dos corações mais sensíveis e feridos pelas injustiças e pecado. O Papa Leão XIV , na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, sob o título “A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante”, lembra as palavras de Santo Agostinho, que exortava os cristãos a estabelecerem uma amizade indissolúvel com a paz, para que guardando-a no íntimo do próprio espírito, pudessem irradiar o calor luminoso ao seu redor.

O Santo, dirigindo-se à sua comunidade, escreveu: “Se queres atrair os outros para a paz, tende-a vós primeiro; sede vós, antes de tudo, firmes na paz. Para inflamar os outros deveis ter dentro de vós a luz acesa”.

Abracemos juntos a causa da paz, sem medo, com coragem e fortaleza. Com a oração e bons gestos façamos surgir nas famílias, na Igreja e no mundo lugares de paz, oásis de esperança e casas de acolhimento e de fraternidade, onde se curem as feridas dos que sofrem e são vítimas de guerras tão sangrentas.

A mensagem do Papa Leão XIV é um apelo humanista e um grito evangélico, que nos desafia a construir hoje a paz, à luz do Evangelho e dos Documentos do Magistério da Igreja.

Ser construtor de uma paz desarmada, convite feito a partir do Evangelho de São João, onde Jesus disse aos discípulos: “Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou”. E imediatamente acrescentou: “Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde” (Jo 14,27). A perturbação e o medo fazem mal ao coração e diante de tanta violência e guerras, sentimos a impotência e o desânimo a apoderar-se de nós. A paz de Jesus Ressuscitado é desarmada, porque é um dom de amor e de graça oferecido a todos aqueles que possuem um coração puro, pacífico e convertido. A bondade é desarmante e convida-nos a caminhar na luz do Senhor, construindo no nosso mundo a universalidade do bem, do progresso e do desenvolvimento para todos, fazendo da terra onde habitamos a “Casa da Paz”.

A paz está ao alcance de todos, embora nem todos desejem viver este dom e esta realidade humana de modo palpável. O Papa insiste na sua mensagem, ao fazer o pedido: “Se a paz não for uma realidade experimentada, guardada e cultivada, a agressividade espalha-se, tanto na vida doméstica, quanto na vida pública”.

Como diz São Francisco de Assis, “Senhor fazei de mim um instrumento da vossa paz, onde houver ódio que eu leve o amor” (…) Convido-vos a fazer da oração de São Francisco de Assis um programa de vida e um testemunho Evangélico. Quem ama verdadeiramente a paz, ama também os inimigos da paz. Como o Concílio Vaticano II, há 60 anos, nos pedia na Gaudium et Spes, só um trabalho urgente e iluminado pela consciência pode construir um diálogo fecundo entre a Igreja e o mundo contemporâneo.

Após tantas mensagens dos nossos Papas para o Dia Mundial da Paz, convidam-nos para uma vivência e construção da paz efetiva e duradoura, pedindo ao “Príncipe da Paz” que nos faça” semeadores de Esperança nas famílias, na Igreja e no mundo”. A urgência de viver relações pacíficas entre todos os seres humanos, governantes e nações, torna-se um imperativo orientado para o indicativo de “aqui e agora”, sermos “Protagonistas da Mudança”. Criemos todos juntos um mundo mais justo, fraterno e solidário.

Rezemos pela paz e convidemos as nossas famílias e comunidades a fazê-lo. Procuremos viver em paz com Deus, connosco, com os irmãos e com a natureza.

Que Santa Maria, Mãe de Deus, Rainha da Paz, Mãe da nossa Esperança e modelo de Confiança nos ensine a rezar, a viver e a testemunhar o dom da paz tão urgente e necessário para o nosso mundo.

+António Luciano, Bispo de Viseu

CategoryBispo, Diocese, Igreja

© 2016 Diocese de Viseu. Todos os direitos reservados.
Desenvolvimento: scpdpi.com

Siga-nos: