Celebrámos, no dia 11 de fevereiro, o Dia Mundial do Doente, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, data escolhida pelo Papa São João Paulo II. Este dia convida-nos a refletir sobre a importância dos cuidados prestados aos doentes, envolvendo médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, capelães, assistentes espirituais, famílias e voluntários, todos empenhados na missão de cuidar.
O cuidado dos doentes e a pastoral da saúde devem abranger a pessoa humana de modo integral. A verdadeira sabedoria pressupõe o encontro com a realidade do outro, de modo particular, atento às suas dores e sofrimentos.
O Concílio Vaticano II, na Gaudium et Spes, convida-nos a abrir a mente e o coração às realidades do nosso mundo: “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (GS 1).
O Papa Leão XIV na sua primeira mensagem para o Dia Mundial do Doente, com o tema “A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro”, faz um forte apelo aos cristãos para cuidarmos dos doentes, inspirando-nos na parábola e no ícone do bom Samaritano (cf. Lc 10,25-37).
A partir do texto bíblico somos questionados: “Quem é o meu próximo?” O homem que caiu nas mãos dos salteadores deve interpelar as nossas atitudes.
Como o samaritano, que ia de viagem e “chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão. Aproximou-se e ligou-lhe as feridas […], levou-o para uma estalagem e cuidou dele”. Cuidemos dos doentes de modo efetivo, em prontidão e proximidade, com ciência e sabedoria médica e de enfermagem, assim como o serviço de todos os profissionais, capelães, assistentes espirituais e familiares devem expressar cuidados com humanismo, ternura, empatia, sabedoria e compaixão, envolvendo toda a comunidade.
A parábola do bom samaritano ilumina os cuidadores a servir os doentes à luz do mistério de Cristo e dos sofrimentos e das dores, que afligem todo o ser humano. Nas mais diversas situações e circunstâncias da vida humana e da sociedade atual somos desafiados a ter gestos concretos para socorrer, escutar, ajudar e cuidar com sabedoria e compaixão as dores dos irmãos.
Num mundo ferido e marcado por tantas situações de sofrimento físico, moral, ético, espiritual, psicológico e social, a mensagem do Papa Leão XIV, convida-nos a criar uma cultura de proximidade, que se oponha à indiferença e ao individualismo crescente na sociedade contemporânea. “Jesus disse, vai e faz tu também o mesmo”. Está aqui o mandato para sermos bons cuidadores dos nossos irmãos, como refere a mensagem: “Ouvimos falar muitas vezes de solidariedade, mas vivemos imersos numa cultura do efémero, do imediato, da pressa, bem como do descarte e da indiferença”, que nos impede muitas vezes de parar ao longo do caminho e de olhar para os nossos irmãos que estão caídos à beira da estrada envolvidos em tantos sofrimentos e desilusões.
O cuidado dos doentes não pode ser apenas uma resposta em casos pontuais, mas deve ser o agir em proximidade de todos aqueles que vivem e praticam com alegria as obras de misericórdia: “Estava doente e fostes visitar-me”. Precisava de cuidados e tu aproximaste-te de mim e curaste as minhas feridas, aliviaste as minhas dores e deste sentido e luz, à minha existência.
A proximidade e o cuidado devem ser oferecidos aos doentes e vulneráveis, para que junto de Jesus encontrem conforto e consolação.
Os cuidadores dos doentes iluminados pelos ensinamentos do Evangelho e do Magistério da Igreja, devem ter gestos de amor e de serviço para com os irmãos. “Ser próximo não depende da proximidade física ou social, mas da decisão de amar”, de cuidar de todos, sem exceção.
O mundo de hoje cada vez mais mergulhado em violências, conflitos e guerras precisa de cuidadores identificados com o amor e disponíveis para ir a tantos lugares de sofrimento, de dor, de abandono, de solidão e de morte, levar uma mensagem de esperança e de justiça, um remédio eficaz para curar e aliviar as dores de todos os que sofrem.
Uma palavra de reconhecimento e apreço pelo trabalho dos profissionais da saúde, pelos agentes da pastoral, por todos os cuidadores e familiares atentos ao mundo da dor e do sofrimento.
Recordo ainda a dor dos que foram afetados pelas tempestades que assolaram o nosso país. Convido todos a olhar para a realidade nacional, com compaixão, espírito fraterno, solidariedade e oração por todos aqueles que perderam os seus bens, que se encontram doentes e os que partiram para a Casa do Pai.
Que Nossa Senhora, Saúde dos Enfermos, nos ensine a cuidar bem de todos os doentes, em caminho sinodal: na “comunhão, participação e missão”, cuidando das fragilidades dos irmãos, num desejo de renovar as relações. Entremos com fé, espírito de penitência e conversão na Quaresma que vamos iniciar na próxima Quarta-feira de Cinzas.
Preparemos, com júbilo e esperança, a festa da Solenidade de São Teotónio, padroeiro da nossa Diocese, que vamos celebrar no dia 19 deste mês, às 18h30, na Catedral. Convido todos os fiéis a participar nesta celebração, com um desejo de fazermos crescer a Igreja Diocesana. Também no dia 22, às 21h00, teremos o concerto de São Teotónio, no Seminário de Viseu.
+António Luciano, Bispo de Viseu