O Bom Pastor é Jesus Cristo ressuscitado, presença viva e operante, que continua a cuidar do seu rebanho. Nele encontra-se o verdadeiro modelo de entrega: aquele que ensina a cuidar, a servir e a dar a vida pelos outros, numa relação de amor ao Pai e de dedicação ao povo de Deus, vivida na fé, na esperança e na caridade.
A caridade do bom Pastor, como nos relata o Evangelho, manifesta-se na caminhada eclesial, na escuta da Palavra, na celebração da Eucaristia e no serviço fraterno aos irmãos.
A Igreja, enquanto povo santo de batizados, é continuamente convocada a reunir-se à volta de Cristo, para experimentar essa solicitude, que se estende a todos sem exceção, crentes e não crentes.
O amor salvífico de Cristo revela-se na compaixão e na entrega total, oferecendo a cada “a vida em abundância”.
“Eu sou o bom Pastor. Eu dou a vida pelas minhas ovelhas”, como recorda Jesus, sublinhando a presença constante do Bom Pastor, que guia, fortalece e protege o seu rebanho, dia e noite, tornando-se Ele mesmo a Porta por onde todos devemos entrar.
Aproveitemos a mensagem da Semana de Oração pelas Vocações, que estamos a celebrar, de 19 a 26 de abril, inspirando-nos no lema “Eu estou contigo” (Is 41,10), graça que nos desafia, a cada um, a reconhecer a presença do Ressuscitado no nosso caminho. Responder com generosidade e alegria ao seu chamamento é o maior desafio da vocação cristã.
Não se trata apenas de um convite, mas de um chamamento universal à santidade, a viver um sonho de Deus, com sentido de responsabilidade e abertura à Igreja e ao mundo. Cada pessoa, seja no matrimónio, na vida consagrada, no sacerdócio ou no compromisso laical, é chamada a ser um sinal vivo do amor de Deus.
Neste contexto, ganha particular importância a escuta interior, a oração e o discernimento vocacional, sobretudo entre os mais jovens e adultos, que são desafiados a interrogar-se sobre o projeto de vida, que desejam abraçar. A Igreja propõe este tempo como oportunidade para criar espaços de silêncio, oração e acompanhamento, de onde possam emergir respostas livres e conscientes ao chamamento de Deus.
O Papa Leão XIV, após a sua eleição, quando celebrou a Santa Missa “Pro Ecclesia” com os cardeais eleitores, afirmou: “Vós chamastes-me a carregar esta cruz e a ser abençoado com esta missão, e eu sei que posso contar com todos e cada um de vós para caminhardes comigo, enquanto continuamos, como Igreja, como comunidade dos amigos de Jesus e como fiéis, a anunciar a Boa Nova, a anunciar o Evangelho”.
Agora, em África, na sua visita a Angola, onde esteve nos últimos dias, como peregrino de esperança, de reconciliação e de paz, pediu: “um país sem ódios e divisões”. Este é um apelo para todo o mundo assumir este clamor iluminado.
Numa sociedade marcada por tensões e divisões, ganha especial relevância o apelo à superação dos ódios e à construção de pontes de diálogo de fraternidade e de solidariedade. A promoção da paz, do entendimento entre culturas e religiões e o recurso à diplomacia entre nações é um desafio urgente.
Assim, o anúncio do Evangelho, aliado ao respeito, à tolerância e à valorização dos dons do Espírito Santo, deve contribuir para uma nova cultura de convivência, fundada na esperança e na construção da paz. Cada cristão é chamado a ser protagonista desta transformação, tornando-se construtor de pontes de acolhimento e diálogo, essenciais para o desenvolvimento da sociedade e para a renovação da própria Igreja.
+António Luciano, Bispo de Viseu