A Diocese de Viseu esteve presente na Jornada Nacional do Diaconado Permanente, realizada no dia 25 de abril, em Fátima, contando também com a presença do Bispo, D. António Luciano, e do Padre António Jorge, responsável pela formação e missão de acompanhamento dos candidatos ao Diaconado Permanente. A nível nacional, o encontro reuniu cerca de 120 participantes, que refletiram sobre a importância do ministério dos diáconos na vida e na missão da Igreja, sob o tema: “Diáconos, servidores da comunhão: um testemunho luminoso para a Igreja e para os pobres”. A partir deste tema, foram abordados três eixos fundamentais: a identidade diaconal como serviço, a comunhão eclesial como caminho e o testemunho visível como missão.
Partilhamos o discurso de D. Joaquim Mendes:
DIÁCONOS, SERVIDORES DA COMUNHÃO: UM TESTEMUNHO LUMINOSO PARA A IGREJA E PARA OS POBRES
“A beleza de uma Igreja feita de presbíteros e diáconos, que colaboram unidos pela mesma paixão ao Evangelho e atentos aos mais pobres, torna-se um testemunho luminoso de comunhão”.
Esta uma frase da Carta Apostólica de Leão XIV Uma fidelidade que gera futuro, de 22 de dezembro de 2025, n.º 18, inspira o tema deste encontro. É uma frase muito bela e muito densa. Ela recorda, antes de mais, que a comunhão na Igreja não é uma ideia abstrata nem apenas uma boa convivência humana: torna-se visível quando presbíteros e diáconos caminham juntos, sem rivalidades, sem protagonismos, sem distâncias, unidos pelo mesmo amor a Cristo e ao Evangelho. O Papa Leão XIV sublinha que a credibilidade do anúncio cristão passa também pela forma como os ministros ordenados se relacionam entre si e servem o Povo de Deus.
A frase acrescenta ainda um critério decisivo: esta unidade não se fecha sobre si mesma, mas manifesta-se numa atenção concreta aos mais pobres. Ou seja, a comunhão eclesial não é apenas interna; torna-se evangélica quando se inclina sobre os frágeis, escuta quem sofre e serve quem mais precisa. No contexto deste mesmo número 18, o Papa liga de modo particular esta perspetiva ao ministério diaconal, apresentado como sinal vivo de Cristo Servo.
Por isso, esta citação pode ser lida como um pequeno programa pastoral: uma Igreja onde presbíteros e diáconos colaboram verdadeiramente, alimentados pela mesma caridade pastoral e atentos aos pobres, oferece ao mundo um sinal luminoso, isto é, uma prova concreta de que o Evangelho gera fraternidade real. E, como o próprio texto indica, é dessa unidade enraizada no amor recíproco que o anúncio cristão recebe “credibilidade e força”.
A partir da densidade desta citação, tomamos como tema de reflexão deste encontro – “Diáconos, servidores da comunhão: um testemunho luminoso para a Igreja e para os pobres”.
Deste tema emergem três eixos fundamentais: a identidade diaconal como serviço, a comunhão eclesial como caminho e o testemunho visível como missão.
Este tema toca o coração da vocação do diácono. Ser servidores da comunhão, um testemunho luminoso para a Igreja e para os pobres.
Esta expressão não é apenas inspiradora; contém um verdadeiro programa de vida, uma verdadeira síntese do que sois chamados a ser e a viver na Igreja e no mundo.
A vocação diaconal nasce do coração de Cristo servidor. Antes de ser uma função, é uma configuração com Cristo, aquele que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida.
É nesta identificação com Cristo servo que se encontra a fonte da vossa identidade, da vossa espiritualidade e da vossa missão. Como recorda o Concílio Vaticano II, os diáconos são ordenados “não para o sacerdócio, mas para o serviço” (Lumen Gentium, 29). E este serviço não é apenas uma tarefa: é um modo de existir, uma forma de estar no mundo, uma maneira de amar, é o cartão de identidade do diácono.
Desta raiz, emergem três eixos fundamentais: a identidade como serviço, a comunidade como caminho e o testemunho como missão. Mas não podemos ficar apenas ao nível das ideias, por mais belas que sejam. A vocação diaconal mede-se sempre pela sua encarnação concreta: no quotidiano, nas relações, nas escolhas, nos gestos simples e silenciosos.
Comecemos pelo primeiro eixo: a identidade diaconal como serviço.
O serviço exprime-se na Palavra, na Liturgia e na Caridade, mas estas três dimensões não podem ser separadas: são expressão de uma única caridade pastoral, que unifica toda a vida do diácono.
Como recorda o Papa Bento XVI, na Deus Caritas Est, “a natureza íntima da Igreja exprime-se num tríplice dever: anúncio da Palavra de Deus, celebração dos sacramentos e serviço da caridade” (n. 25). O diácono encontra-se, de modo particular, no coração desta tríplice missão.
O serviço da Palavra começa na escuta. Escuta de Deus, na oração e na meditação da Escritura; escuta das pessoas na atenção às suas vidas concretas.
Um diácono que não escuta dificilmente poderá anunciar uma Palavra que toque o coração. Por isso, este serviço traduz-se numa disponibilidade real para acolher, dialogar, acompanhar.
Quantas vezes o primeiro anúncio do Evangelho acontece numa conversa simples, numa escuta paciente, numa presença que não julga, mas compreende e ilumina.
O magistério recente tem sublinhado com insistência esta dimensão da escuta, sobretudo ao apresentar a Igreja como uma comunidade chamada a escutar: escutar Deus, escutar os irmãos e escutar o mundo.
O Concílio Vaticano II colocou esta atitude da escuta no coração da renovação da Igreja. A constituição Dei Verbum apresenta a revelação como diálogo de Deus com a humanidade, no qual o homem é chamado a escutar com fé e a responder com a vida.
Já a Gaudium et Spes convida a Igreja a escutar as alegrias, as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo, reconhecendo nelas um lugar teológico onde Deus continua a falar. Esta dupla escuta — de Deus e da realidade humana — torna-se, assim, um critério essencial de discernimento pastoral.
No magistério mais recente, esta dimensão da escuta foi ainda mais aprofundada. A Evangelii Gaudium insiste numa Igreja que sabe escutar antes de falar, que se deixa interpelar pelas pessoas concretas e pelas suas situações, evitando respostas pré-fabricadas. Amoris Laetitia sublinha a importância do acompanhamento pastoral feito com escuta paciente, respeitosa e misericordiosa, sobretudo nas situações mais frágeis.
Por sua vez, o processo sinodal promovido pela Igreja universal recupera com força esta ideia de uma “Igreja da escuta”, onde todos têm algo a aprender: o povo fiel, os pastores e o Bispo de Roma, cada um à escuta dos outros e todos à escuta do Espírito Santo.
Neste horizonte, a escuta não é apenas uma atitude humana ou uma técnica pastoral; é uma atitude espiritual. Escutar implica silêncio interior, disponibilidade, humildade e conversão do coração. É reconhecer que o outro não é um problema a resolver, mas um mistério a acolher; é criar espaço para que Deus fale através da sua vida, das suas palavras, das suas feridas e das suas buscas.
A escuta é um lugar teológico de encontro com Deus e com os irmãos, fonte de comunhão e para a missão verdadeiramente evangelizadora.
Por sua vez, o serviço da Liturgia pede que o diácono ajude a comunidade a viver o mistério celebrado como fonte de vida. Não se trata apenas de desempenhar funções, mas de ajudar a fazer a ponte entre o altar e a existência concreta. Entre o altar e a vida real.
A liturgia não termina na celebração: prolonga-se na vida. O diácono, pela sua própria vocação, é chamado a ser este “elo vivo” entre a Eucaristia celebrada e a caridade vivida.
O diácono como ponte entre o altar e a existência concreta exprime a natureza profundamente unitiva do seu ministério.
O diácono não pertence apenas ao espaço litúrgico nem se reduz à ação social; ele é, por vocação, aquele que mantém unidas estas duas dimensões inseparáveis da vida da Igreja: o mistério celebrado e o amor vivido.
Na liturgia, sobretudo na Eucaristia, o diácono está junto do altar, serve o mistério, proclama o Evangelho e, muitas vezes, convida à paz e à comunhão. Aí, ele torna visível Cristo servo, que se entrega totalmente. Mas este serviço não termina no espaço sagrado: aquilo que é celebrado deve prolongar-se na vida. Por isso, o diácono é enviado — quase como uma extensão viva da Eucaristia — para o meio do mundo, levando consigo a lógica do dom, da gratuidade e da entrega.
Ser este “elo vivo” entre a Eucaristia celebrada e a caridade vivida, significa reconhecer que a sua missão não é apenas funcional, mas existencial. Ele não faz apenas a ligação entre dois momentos (celebrar e agir); ele próprio é essa ligação.
A sua vida, muitas vezes inserida no mundo do trabalho, na família e nas realidades sociais, torna-se lugar privilegiado onde a graça da Eucaristia ganha carne.
O diácono testemunha que o Corpo de Cristo recebido no altar deve ser reconhecido e servido nos pobres, nos doentes, nos marginalizados, nos que vivem nas periferias existenciais.
Assim, o diácono recorda continuamente à comunidade cristã que não há verdadeira Eucaristia sem caridade, nem autêntica caridade sem fonte e raiz na Eucaristia.
Como sublinha o magistério da Igreja, a liturgia e a diaconia pertencem à mesma dinâmica do amor de Deus: o culto que agrada a Deus prolonga-se na vida entregue aos irmãos. O diácono, pela sua presença e pelo seu ministério, ajuda a evitar a tentação de separar aquilo que Deus uniu: fé e vida, altar e rua, oração e serviço.
Neste sentido, ele é chamado a ser sinal concreto de uma Igreja “em saída”, que não se fecha no culto, mas que dele parte para transformar o mundo. A sua proximidade às realidades humanas — família, trabalho, sofrimento, pobreza — dá-lhe uma sensibilidade particular para discernir onde a caridade é mais urgente e como a comunidade pode responder de modo mais evangélico.
Ser ponte, portanto, não é apenas “ligar dois lados”, mas deixar-se continuamente atravessar pela graça que vem de Deus e que se dirige aos irmãos. É viver de tal modo que cada gesto litúrgico encontre eco na vida concreta e que cada serviço aos pobres remeta à fonte de onde brota: Cristo, que na Eucaristia se faz alimento para todos.
É no serviço da Caridade, que tem a sua fonte Eucaristia, que a identidade diaconal encontra uma expressão particularmente forte e concreta, onde o ministério ganha rosto, história, proximidade.
E hoje, este campo apresenta-se vasto e exigente.
Antes de mais, a atenção aos doentes, não apenas através da visita, mas também da assistência espiritual, sobretudo em hospitais e lares. O diácono pode ser presença de consolo, de oração, de escuta, ajudando a ler a doença à luz da fé, acompanhando momentos de fragilidade e de dor.
Como referiu o Papa Francisco, “o tempo da doença é um tempo de graça” e o diácono é chamado a ajudar a descobrir essa presença de Deus no sofrimento.
Depois, o acompanhamento no mundo prisional. As prisões são, muitas vezes, verdadeiras periferias existenciais, onde se concentram histórias de sofrimento, de erro, de abandono, mas também de desejo de recomeço.
O diácono é chamado a entrar nestes lugares com o olhar de Cristo, que não exclui, mas oferece sempre uma possibilidade de redenção. Como diz o Papa Francisco, “nenhum pecado pode apagar a imagem de Deus no homem” (Misericordiae Vultus, 3).
Outro campo emergente, que hoje interpela fortemente a Igreja, é o dos migrantes e emigrantes. Muitos vivem situações de grande vulnerabilidade: desenraizamento, precariedade, solidão, dificuldades de integração. O diácono não pode ficar indiferente a esta realidade. O diácono é chamado a ser presença de acolhimento, de escuta, de integração.
O magistério é muito claro neste ponto: “os migrantes são um apelo a redescobrir algumas dimensões essenciais da nossa existência cristã” (Fratelli Tutti, 40). A caridade diaconal passa também por construir pontes, por ajudar a criar comunidades mais inclusivas e fraternas.
Podemos ainda acrescentar outros âmbitos: o acompanhamento de famílias em crise, o apoio a idosos isolados, a escuta de pessoas feridas interiormente, a atenção aos pobres invisíveis — aqueles que não pedem ajuda, mas vivem na solidão e no silêncio.
O Diretório para o Ministério e a Vida dos Diáconos Permanentes sublinha que o diácono deve ser “animador da caridade” na comunidade. Isto significa não apenas fazer, mas ajudar a comunidade inteira a tornar-se mais sensível, mais próxima, mais solidária.
E tudo isto começa em casa. A forma como o diácono vive o serviço na família é o primeiro e mais credível testemunho. A comunhão conjugal, o cuidado com a esposa, o diálogo, a partilha da vida, a atenção aos filhos — tudo isto é já ministério.
A esposa participa de modo próprio nesta vocação, sendo presença de comunhão, apoio e discernimento. Juntos, tornam visível um estilo de vida marcado pelo dom.
Num mundo centrado no eu, o diácono é chamado a testemunhar a lógica do dom, a lógica do serviço humilde e gratuito, que, como recorda o Papa Francisco, é o próprio estilo de Deus.
Passamos ao segundo eixo: a comunidade como caminho, aprofundado hoje à luz da sinodalidade.
O diácono não existe isoladamente. Ele está inserido numa Igreja que é comunhão e que hoje é chamada, de forma renovada, a viver como Igreja sinodal, isto é, uma Igreja que caminha junta, que escuta, que discerne, que participa.
O Papa Francisco tem insistido que “a sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milénio”. E o diácono, pela sua própria vocação, está numa posição privilegiada para promover este estilo.
Antes de mais, na relação com o Bispo.
O diácono é ordenado para o serviço da Igreja particular, em ligação e comunhão direta com o Bispo.
A comunhão com o Bispo não é apenas jurídica ou funcional; é espiritual e pastoral. Significa sentir com a Igreja, caminhar com ela, participar num projeto comum, acolher as orientações diocesanas, sentir-se parte de um caminho comum, evitar protagonismos isolados.
Depois, na relação com os presbíteros, que deve ser vivida como um verdadeiro espaço de comunhão e de missão partilhada, marcada pela colaboração leal, pela confiança recíproca e por uma complementaridade que não diminui ninguém, mas antes enriquece o serviço de todos.
O diácono não é um substituto do presbítero, nem um agente autónomo que caminha isoladamente; é colaborador, chamado a servir a unidade do Corpo de Cristo, consciente de que, na vida da Igreja, “é preferível o imperfeito na unidade do que o perfeito na desunião”, porque a comunhão é já, em si mesma, testemunho do Evangelho. Por isso, esta relação não se constrói apenas a partir de funções, mas sobretudo a partir de uma atitude interior que se deixa moldar pelo coração de Cristo servidor e obediente.
Recordemos as palavras de Jesus na oração sacerdotal — João 17,21— onde Ele suplica ao Pai que todos sejam um, como Ele e o Pai são um, para que o mundo creia.
A unidade entre diáconos e presbíteros não é apenas uma questão organizativa ou pastoral; é uma realidade profundamente teológica e missionária: dela depende, em grande parte, a credibilidade do anúncio.
Esta relação pede, por isso, confiança — que acredita no outro e não suspeita; diálogo — que escuta antes de julgar; humildade — que reconhece o próprio lugar e valoriza o dos outros; e clareza — que evita ambiguidades e constrói caminhos comuns.
No concreto, traduz-se em atitudes muito simples, mas exigentes: evitar comparações que geram rivalidade, não alimentar tensões nem murmurações, saber reconhecer os dons uns dos outros e colocá-los ao serviço da comunidade, procurando sempre a complementaridade na comunhão.
Assim, o ministério torna-se verdadeiramente fecundo, porque vivido não como afirmação pessoal, mas como serviço partilhado na única missão de Cristo e da Igreja.
Mas é sobretudo na relação com os leigos que o diácono pode exercer um papel decisivo na promoção da sinodalidade.
O diácono pela sua inserção na vida familiar e profissional, está próximo das realidades concretas das pessoas. Pode escutar, valorizar, envolver, corresponsabilizar. Pode ajudar a que todos se sintam parte ativa da missão da Igreja.
Promover a sinodalidade é, muito concretamente, criar espaços de escuta, favorecer o diálogo, integrar diferentes sensibilidades, ajudar a discernir em conjunto. É passar de uma pastoral de execução para uma pastoral de participação.
Também aqui, o testemunho pessoal é decisivo. Não se pode promover comunhão sem viver comunhão. O diácono é chamado a ser homem de relações reconciliadas, alguém que escuta, que aproxima, que constrói pontes. Como recorda Evangelii Gaudium, “o tempo é superior ao espaço” (n. 222): a comunhão constrói-se com paciência, com processos, com perseverança.
A comunhão conjugal, mais uma vez, torna-se sinal de Igreja. Uma família que vive a escuta, o perdão, o diálogo, é já uma pequena Igreja sinodal.
O diácono permanente, muitas vezes esposo e pai, evangeliza através da qualidade da sua vida familiar. A comunhão vivida em casa, o amor fiel, o cuidado mútuo, são já um testemunho eloquente, especialmente num mundo marcado por fragilidades nas relações. A sua família não é um obstáculo ao ministério, mas um lugar teológico de evangelização.
São as relações que evangelizam (Documento Final do Sínodo dos Bispos sobre os Jovens (2018). Jesus evangelizou sobretudo com relações concretas: chamou discípulos para estarem com Ele, encontrou-se com pessoas nas suas situações reais, olhou, escutou, acolheu, caminhou ao lado. A sua palavra tinha autoridade porque nascia de uma relação vivida, verdadeira, transformadora. Por isso, também hoje, mais do que estruturas ou programas, é a qualidade das relações que torna credível o anúncio do Evangelho, a começar pelas relações familiares.
Chegamos ao terceiro eixo: o testemunho visível como missão, hoje iluminado pela imagem de uma Igreja em saída.
O Papa Francisco convida-nos a ser uma “Igreja em saída”, que não se fecha sobre si mesma, mas vai ao encontro, especialmente das periferias. E o diácono tem aqui uma missão muito própria.
O testemunho começa na família, prolonga-se na comunidade, mas abre-se também ao mundo do trabalho, às relações sociais, às periferias humanas e existenciais.
As periferias não são apenas geográficas; são também existenciais, interiores: solidão, pobreza espiritual, falta de sentido, feridas afetivas, exclusão social. O diácono é chamado a ir ao encontro destas realidades, não com respostas prontas, mas com presença, com proximidade, com compaixão. Como recorda Evangelii Gaudium, “prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja doente pelo fechamento” (n. 49). Esta imagem é particularmente iluminadora para o ministério diaconal.
Evangelizar as periferias significa sair, encontrar, escutar, acompanhar, propor. Significa levar o Evangelho não apenas com palavras, mas com gestos concretos de amor.
O testemunho no mundo do trabalho é aqui decisivo. O diácono, vivendo no meio das realidades seculares, é chamado a ser fermento:
alguém que introduz o Evangelho nas relações, nas decisões, nas estruturas.
E, de modo especial, permanece central o testemunho junto dos pobres. Não apenas para ajudar, mas para reconhecer neles a presença de Cristo. Como dizia São Lourenço, os pobres são o verdadeiro tesouro da Igreja. Ver os pobres não como um problema, mas um lugar teológico, um espaço de encontro com Deus.
O testemunho torna-se luminoso quando é coerente. Quando há unidade entre aquilo que se anuncia e aquilo que se vive. Quando o serviço não é ocasional, mas estilo de vida. Quando a caridade é concreta, próxima, perseverante. Este caminho não é fácil, mas é belo. Não sois chamados a fazer tudo, mas a viver tudo com o estilo de Cristo servo.
Podemos resumir assim: o serviço torna-nos próximos, a comunhão torna-nos irmãos, o testemunho torna-nos sinais. E desta conjugação nasce uma Igreja luminosa: uma Igreja que serve, que caminha junta e que sai ao encontro.
Que o Senhor vos sustente nesta missão e que a Virgem Maria, serva do Senhor, vos acompanhe neste caminho de fidelidade, de comunhão e de alegria.
Para a reflexão em grupo:
1) Em que dimensões concretas da nossa vida sentimos maior dificuldade em viver o serviço como identidade, e que passos podemos dar?
2) E que caminhos concretos podemos abrir para promover uma Igreja mais sinodal e mais próxima dos pobres?
D. Joaquim Mendes,
Bispo Auxiliar Emérito do Patriarcado de Lisboa
e Vogal da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios