Nos meses de maio e junho, na vida pastoral das comunidades paroquiais, as crianças, adolescentes, famílias, catequistas e párocos têm acrescidas preocupações, devido às ansiadas festas da catequese. Preparadas atempadamente, especialmente a Primeira Comunhão e Profissão de Fé, enriquecem o percurso catequético das várias faixas etárias e níveis de amadurecimento da fé, assumindo inclusive uma forte componente social. Nada fica ao acaso: convites e convidados, viagens, indumentária apropriada, almoços, fotógrafo, prendas condizentes, cânticos, gestos. É, claramente, um sinal da vitalidade eclesial e comunitária. O modo como se realizam estas celebrações deve merecer esmero e atenção, para que não se ensombre o essencial, quando as preocupações incidem em demasia nas exterioridades. É um desafio para as catequistas, párocos e, sobretudo, as famílias e crianças. Esforcem-se estes responsáveis por que estes eventos não se reduzam a um mero pretexto festivo de cariz social, secundarizando o motivo que os suscita, e se transformem num convívio familiar, um beberete. Exige-se, por isso, cuidado na sua preparação, focando-se no forte significado espiritual, centrado no que é a essência, mais que o acessório, por vezes mais apelativo. O rito central é a Eucaristia, animada pelas crianças, que merecem dedicação especial. A participação deve ser não só activa, mas criativa, consciente, simples, bela e espiritualmente proveitosa, segundo os princípios expostos na constituição conciliar litúrgica (SC): nobre simplicidade, brevidade, adaptação e compreensão das crianças (n.34). Pela importância que estes momentos constituem, a Igreja, mãe atenta a todos, elaborou, já em 1973, um Directório das missas com crianças que, no fundamental, permanece actual e oportuno para as celebrações nas quais elas têm um papel destacado.
Partindo destas orientações, elencamos práticas a evitar: distribuir tarefas só para que todos intervenham; executar cantos inapropriados, só porque são bonitos; homilias longas, moralistas e banais; adaptar uma qualquer canção com letra mais ou menos espiritual; imitar o que se viu na tv; excluir as famílias da participação, fazendo da celebração uma actuação dos mais novos; a profusão simbólica, anulando a rica simbologia litúrgica; o exibicionismo; prolongar demasiadamente o acto; aligeirar o clima celebrativo; a agitação stressante…
Para o efeito pretendido destas celebrações, tenha-se presente a sã criatividade e a nobre simplicidade. São princípios operativos indispensáveis, que requerem saber, paciência e colaboração dos agentes pastorais. Faça-se uma preparação cuidada, que por vezes é limitada ao ensaio dos cânticos, sem intenções simplesmente performativas, mas fazendo mistagogia apropriada de cada gesto do sacerdote e da assembleia, dos movimentos, das cores, dos elementos (pão, vinho, água, flores, vela, luz, cruz), dos lugares (altar, ambão, presidência, assembleia), dos momentos da celebração, do(s) silêncio(s), da música e canto – este e não aquele! – com instrumentos apropriados, das aclamações; dos movimentos, do silêncio. Criatividade sem exuberância, nobreza sem sumptuosidade, beleza na simplicidade.
É pertinente, neste tema, recordar a palavra de Jesus: “Nunca lestes: da boca das crianças e meninos de peito fizeste sair um louvor perfeito?” (Mt 21,16)
José Henrique Santos