Open/Close Menu A Diocese de Viseu é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica em Portugal

Hoje, em certos ambientes eclesiais, está na moda ser-se tradicionalista. São rendinhas nas alvas, é o cabeção à maneira romana, é o frenesim de recuperar tudo quanto seja antigo, é o pormenor de colocar as mãos e os dedos de uma certa maneira na celebração… Não se trata tanto de um gosto particular, mas de uma certa canonização de pequenos gestos, que fazem lembrar outros tempos. Há, sem dúvida, uma corrente revivalista que tem como mote: “o que é antigo é que é bom”!

Pode haver também a passagem do nível da indumentária e do aparato exterior para o nível teológico-pastoral, com afirmações e linguagens pré-conciliares.

Este é um fenómeno bom ou mau? A imagem de uma Igreja “Corpo” criada por S. Paulo é suficientemente plural para acondicionar várias sensibilidades, isto desde que…

Aqui voltamos ao grande critério atribuído a S. Agostinho: “No essencial, a unidade; na dúvida, liberdade; em tudo, a caridade”. Já Lumen Gentium 23 vê a diversidade a “convergir” para a unidade. E a unidade é pedida por Jesus: “Inspirados pela oração de Jesus para que todos os seus discípulos sejam um (cf. Jo 17, 21), somos encorajados no nosso compromisso de buscar a restauração da plena comunhão entre todos os cristãos” (Leão XIV e Bartolomeu I, nos 1700 anos do concílio de Niceia).

Assumido este critério eclesiológico geral, de pendor pentecostal, em que, estando unidos no essencial, há lugar para uma diversidade boa e que se torna riqueza para todo o Corpo, a chamada “diversidade reconciliada”, importa saber discernir entre o que é essencial e o que é secundário.

A experiência cristã vê, nesta tarefa sempre inacabada, precisamente o papel do chamado Magistério, isto é, os ensinamentos de Papa e Bispos a ele unidos.

Na verdade, o Concílio Vaticano II leva-nos ao contacto direto com a Tradição viva da Igreja, não uma tradição que se perde em alguns anos atrás, mas a que vai às fontes da fé, nomeadamente que entra em contacto com a chamada fé apostólica e que tem presente toda a caminhada histórica de mais de dois mil anos.

De algum modo, o gosto pelo tradicional, em si mesmo, nem é bom nem mau. Trata-se de uma sensibilidade a ser respeitada e que pode conviver com outras mais “progressistas”, mais preocupadas com uma nova metodologia de comunicação da mensagem… Isto, mais uma vez, desde que…

Desde que a grande atitude de todos seja a de privilegiar esse “todos um” que Jesus pede ao Pai. E essa condição prévia implica acreditar com a mente, o coração e a vida que Jesus é o único salvador, o único tesouro e alegria, o que significa também que só testemunhamos a presença do Ressuscitado se nos amarmos como irmãos numa Igreja comunhão e em missão.

A unidade é possível se todos soubermos colocar a fé acima das sensibilidades particulares, se esquecermos as “tradiçõezinhas” e abraçarmos a Tradição, como essa transbordante corrente de vida ininterrupta, que liga o primeiro Pentecostes ao que hoje celebramos!

P. José Cardoso

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