A catequese não tem meses, como é natural. Porém, na nossa tradição pastoral, setembro faz pensar especialmente em catequese.
Convém então recordar alguns aspetos importantes sobre Catequese.
A CATEQUESE ESTÁ NO CORAÇÃO DA MISSÃO DA IGREJA
Nunca é demais recordar que a Catequese é uma ação da Igreja que está no cerne da missão. Não se trata de uma atividade qualquer. Ela faz parte daquele “Ide, fazei discípulos” (cf. Mt 28, 19), que Jesus deu aos apóstolos e neles a toda a Igreja.
E ser discípulo, além do conhecimento da fé, engloba também as dimensões celebrativa e espiritual.
A Catequese é faz parte da evangelização (cf. DC 4). É por isso profundamente errado termos atitudes e decisões pastorais que parecem manifestar uma certa desconsideração pela Catequese, quase como se de uma ocupação de tempos livres se tratasse.
A CATEQUESE NO HORIZONTE DA INICIAÇÃO CRISTÃ
De um modo sucinto, a Catequese serve para “formar cristãos”! Não apenas para os “instruir” ou formar teoricamente. Os últimos Diretórios da Catequese acentuam claramente esta dimensão iniciatória da Catequese, segundo a qual a atingimos o objetivo final da evangelização pelo nascimento de novos cristãos, pela fé e sacramentos (cf. DC 34).
Por palavras simples, a iniciação cristã é como a evangelização realizada. E não será uma das nossas questões pastorais mais sérias perdermos o horizonte iniciatório da nossa catequese? Isto é, deixarmos de tudo fazer para que cheguemos a iniciar verdadeiramente as nossas crianças e jovens (e adultos)?
Como podemos lamentar-nos por muitos se afastarem se não chegaram ao âmago da vida cristã, se não chegaram a ser totalmente iniciados, se não experimentaram a vida cristã acreditada, celebrada, vivida e orada? Numa palavra, se não vivenciaram a “alegria da fé” (cf. Bento XVI, Mensagem para a Jornada da Juventude, 2012)?
CONSEQUÊNCIAS DE UMA CATEQUESE INICIATÓRIA
– Atenção constante à Conversão: No nosso grupo, somos convidados a dar uma atenção personalizada a cada um, sejam crianças, jovens ou adultos. O ritmo da conversão é diferente de pessoa para pessoa e, em alguns casos, pode nem sequer ter ainda acontecido…
– Desenvolver uma Pedagogia Celebrativa: Se a Eucaristia é o centro da vida cristã, não há iniciação à vida cristã sem iniciação à prática da Eucaristia (não apenas ao conceito). Não devemos descansar enquanto não encontrarmos pedagogias celebrativas adequadas ao nosso tempo, que motivem e introduzam na celebração;
– Testemunhar uma fé que nos leva a amar como Jesus: Assim como não há fé sem Eucaristia também não há fé sem a vivência e a prática do mandamento novo de Jesus. No próprio Novo Testamento verificamos que a fé não existe sem a “fração do pão” (a Eucaristia) e a “comunhão fraterna” (não esquecendo as orações) (cf. At 2, 42).
Aqui ficam estes simples, mas urgentes desafios. A Catequese é das atividades mais importantes da missão e nunca é demais dedicar-lhe toda a nossa atenção, solicitude e empenho.
P. José Cardoso de Almeida