“A palavra de Cristo habite entre vós” (Col 3,16).
As vossas Palavras Senhor são espírito e vida.
A Palavra de Deus é farol a guiar os meus passos.
A Palavra de Deus é luz para iluminar a minha vida.
“A Palavra de Deus é viva e eficaz, que, como uma espada, penetra até à divisão da alma e do corpo, das articulações e das medulas, e discerne os sentimentos e intenções do coração” (cf. Heb 4,12).
No dia 25 de janeiro celebramos o Domingo da Palavra de Deus, assinalado todos os anos no 3.º Domingo do Tempo Comum, conforme foi instituído pelo Papa Francisco. É o dia da celebração da Conversão do Apostolo São Paulo e a conclusão da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
A Palavra de Deus alimenta, fortalece e ilumina a nossa vida. Por isso convido todos os fiéis a dizer: “Só vós Senhor, tendes Palavras de Vida Eterna.”
Ouvir a Palavra de Deus com fé, acolhê-la com alegria e entusiasmo, meditá-la com um coração renovado e iluminado pela luz do Espírito Santo, é essencial para então partilhá-la e anunciá-la como verdadeiros discípulos missionários.
Esse caminho concretiza-se no estudo da Bíblia por meio de cursos de formação, semanas de estudo, jornadas dedicadas à Palavra de Deus, momentos de reflexão e retiros bíblicos, bem como na vivência dos grupos bíblicos, da Lectio Divina e das Oficinas de Oração, alimentando-nos em cada dia desta palavra que dá sentido e vida à espiritualidade cristã.
A “Lectio Divina” é um meio proposto pela Igreja para o povo de Deus conhecer, estudar e rezar a Sua Palavra. É na humildade do coração com a graça de saber invocar o Espírito Santo, que nos leva à veneração da Palavra de Deus e à interpretação do texto bíblico no qual Deus se revela: “Fala Senhor, que o teu servo escuta” (1Sm 3,9).
A Palavra de Deus escrita e contida na Bíblia, chamada também de Sagrada Escritura, não deve ser utilizada fora do seu contexto e da mensagem que nos quer transmitir. Por exemplo: “Se um texto foi escrito para consolar, não deveria ser utilizado para corrigir erros; se foi escrito para exortar, não deveria ser utilizado para instruir; se foi escrito para ensinar algo sobre Deus, não deveria ser utilizado para explicar várias opiniões teológicas; se foi escrito para levar ao louvor ou ao serviço missionário, não o utilizemos para informar sobre as últimas notícias” (Alegria do Evangelho, nº 147).
O Espírito Santo, inspirou a Bíblia inteira, que a Igreja nos transmite como Palavra Revelada.
Na prática pastoral, o estudo da Sagrada Escritura é fundamental. A Igreja propõe-nos uma forma concreta de escutar o que o Senhor nos quer comunicar por meio da Sua Palavra e de nos deixarmos transformar pelo Espírito: trata-se da prática já referida “Lectio Divina”. “Consiste na leitura da palavra de Deus, num tempo de oração, para lhe permitir que nos ilumine e renove. Esta leitura orante da Bíblia não está separada do estudo que o pregador realiza para individualizar a mensagem central do texto. Antes pelo contrário, é dela que deve partir para procurar descobrir aquilo que essa mensagem tem a dizer à sua própria vida.” (EG, nº 152).
O Papa Francisco, na Exortação Apostólica a ‘Alegria do Evangelho’, ao falar sobre o acolhimento da Palavra de Deus na nossa vida afirma: “Na presença de Deus, numa leitura tranquila do texto, é bom perguntar-se por exemplo: “Senhor, a mim que me diz este texto? Com esta mensagem, que quereis mudar na minha vida? De que é que não gosto neste texto? Porque é que isto não me interessa? Ou então: “De que gosto? Em que me estimula esta Palavra? Que me atrai? E porque me atrai?”. Quando se procura ouvir o Senhor, é normal ter tentações” (EG, nº 153).
Deus é bondade e misericórdia infinita e fala a cada um de nós como a um amigo íntimo e próximo, enchendo-nos dos seus dons e perdoando os nossos pecados.
Devemos ser fiéis que sabem escutar a Palavra de Deus, a guardam no coração e, como Maria, a põem em prática.
Uma das urgências pastorais na Igreja é o conhecimento e o estudo da Palavra de Deus para a colocar em prática na nossa vida, a transmitir e ensinar ao povo de Deus nas nossas comunidades, através da evangelização, da catequese, da formação bíblica e, de um modo, particular da Liturgia da Palavra, na Eucaristia e na celebração dos Sacramentos.
São Jerónimo dizia: “Ignorar as Sagradas Escrituras é ignorar o próprio Cristo”.
Convido os pastores, consagrados e leigos das nossas comunidades paroquiais, religiosas, secretariados, serviços diocesanos, movimentos e obras, em caminho sinodal, “na comunhão, na participação e na missão”, a dar primazia ao estudo da Palavra de Deus, através de uma maior participação no estudo da Bíblia, de modo a viver a missão na Igreja como verdadeiros “discípulos missionários” e “evangelizadores com Espírito”.
Peçamos a Maria, Mulher da escuta, da oração e do silêncio interior, a graça de ouvir com fé e acolher com esperança a Palavra do seu Filho Jesus no nosso coração.
+António Luciano, Bispo de Viseu