Querido povo santo de Deus, meus irmãos e minhas irmãs na fé:
Recebei com um coração renovado esta Mensagem da Quaresma.
Este é um tempo privilegiado de renovação e preparação espiritual, através da iluminação interior, do encontro com Deus, da conversão pessoal e da mudança de coração para acolher o mistério da vida nova, oferecido na Páscoa de Jesus.
Convido todos os fiéis da Diocese de Viseu – pastores, consagrados, leigos e pessoas de boa vontade – a viver este tempo de abertura à graça sobrenatural, favorável à salvação de todos, à escuta da Palavra de Deus, à iluminação da fé, à conversão do coração, à mudança de atitudes e ao arrependimento dos pecados, de modo a receber o perdão dos pecados e aceitar a graça da reconciliação connosco, com a Igreja, com os irmãos e com o mundo.
Peço a todos que vivam a sua vocação cristã na prática da caridade, em oração, com boas obras, através do jejum, da penitência e da partilha fraterna.
A Quaresma é um tempo de abertura à graça divina, que nos ajuda a fazer um percurso de vida espiritual intenso e de compromisso eclesial, com a comunidade, vivendo durante quarenta dias, o caminho para a Páscoa da Ressurreição.
É uma experiência favorável à salvação, que pode ser vivida por todos aqueles que nasceram da graça do Sacramento do Batismo e se tornaram filhos de Deus, irmãos de Jesus Cristo e templos do Espírito Santo.
Na sua mensagem, o Papa Leão XIV convida-nos a escutar a Palavra de Deus com fidelidade e docilidade ao Espírito Santo.
“Escutar e jejuar. Quaresma como tempo de conversão” é o título da mensagem, que nos convida a um jejum que diminua as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro.
“O itinerário quaresmal torna-se uma ocasião propícia para dar ouvidos à voz do Senhor e renovar a decisão de seguir Cristo, percorrendo com Ele o caminho que sobe a Jerusalém, onde se realiza o mistério da sua paixão, morte e ressurreição”, refere o Papa, pedindo uma “abstinência muito concreta e frequentemente pouco apreciada, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo.”
Deste modo, podemos cultivar a esperança e a paz. Como nos pede o Papa: “esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs”.
A Quaresma apresenta-nos um leque de exercícios espirituais imprescindíveis para a renovação pessoal e comunitária, que deve ter como ponto culminante a Eucaristia e o Sacramento da Reconciliação. Dediquemos tempo à oração pessoal mais intensa, à Liturgia das Horas comunitária, à Lectio Divina, à Via-Sacra, às 24 Horas para o Senhor, à oração do terço, aos retiros espirituais, às pregações dos Passos do Senhor e da Paixão e Morte, às conferências Quaresmais, ao cântico dos martírios, ao cântico do amentar das almas e outras formas de piedade popular, que louvam o Senhor e nos convidam a caminhar juntos.
Este tempo é marcado pela prática do jejum e da penitência para renovar a vida espiritual, ajudada pela vivência da abstinência em união com a Paixão do Senhor, mais visível na Quarta-Feira de Cinzas e nas Sextas-Feiras da Quaresma, onde “se deve escolher uma alimentação simples e pobre, que poderá concretizar-se na abstenção da carne”.
Não podemos viver a Quaresma sem olhar para as pessoas e as realidades sociais e ambientais, que destruíram e alteraram a vida de muitos dos nossos irmãos a partir da tempestade Kristin e de outras que lhe sucederam na região centro do nosso país. Uma verdadeira tragédia nacional, que nos deve fazer estar vigilantes aos sinais dos tempos e à escuta da vontade de Deus.
Temos de viver a Quaresma iluminados pela fé e permitir que o amor de Cristo crucificado e ressuscitado transforme a nossa vida e as nossas relações na família, na igreja, no trabalho, na escola e em todas as decisões e gestos simples do dia a dia. Convido os sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos a dinamizarem nas paróquias e comunidades a proposta pastoral da Diocese que nos conduzirá à Páscoa, fazendo de nós “Protagonistas da Mudança”.
Convido todos os Diocesanos e pessoas de boa vontade, em caminho sinodal, a partilhar o pão através da Renúncia Quaresmal, que na Diocese de Viseu terá este ano dois destinos: ajudar as vítimas das tempestades das Dioceses do Centro de Portugal e contribuir para o Fundo de Emergência da Diocese, para ajudar os que mais precisam.
Rezemos pelas intenções do Santo Padre, pela paz no mundo, pelos doentes e pelas vítimas das intempéries. Privemo-nos de coisas justas e necessárias, para aliviar as dores dos nossos irmãos mais necessitados, vulneráveis e desfavorecidos.
+António Luciano, Bispo de Viseu