“Ser uma Igreja diocesana centrada em Cristo, que acolhe a vida como vocação, caminha em comunhão e, dócil ao Espírito Santo, reconhece, forma e envolve os dons de todos os batizados ao serviço da missão” é o horizonte definido pelo Programa Pastoral da Diocese de Viseu para o próximo biénio.
O documento foi apresentado ontem à tarde, 20 de setembro, no Claustro Superior da Catedral de Viseu, no Tesouro da Catedral – Museu de Arte Sacra, pelo Padre João Zuzarte, Vigário da Pastoral.
Subordinado ao lema ‘Escuta e Caminha’, o Programa Pastoral tem como eixos orientadores a ‘Vocação e Sinodalidade’ e como referência bíblica o convite de Jesus: “Vinde e Vede” (Jo 1,39). A escolha destes eixos resulta do processo de auscultação das estruturas diocesanas de corresponsabilidade, tendo em vista a implementação das conclusões do Sínodo até 2028.
“Vocações e sinodalidade estão interligadas, não se sobrepõem, são duas realidades que se complementam e que são importantes para que a Igreja se renove e para que encontre, dentro da sua tradição e do caminho que percorre, as respostas para as questões de hoje”, sublinhou o Padre João Zuzarte.
Como explicou o sacerdote, foram definidos três objetivos gerais: promover uma cultura vocacional e sinodal; formar e comunicar melhor; e apostar na conversão da mentalidade para transformar a comunidade.
“Estamos num tempo em que as comunidades vivem uma crise vocacional, algumas estão envelhecidas, sem vitalidade e outras comunidades e paróquias procuram encontrar novas formas de presença e de missão no mundo. Há a questão da diminuição dos sacerdotes e dos consagrados, a redução da participação na Eucaristia e algum afastamento”, contextualizou.
Apesar deste cenário, o responsável pastoral sublinhou que “nem tudo é negativo”, destacando a existência, nas comunidades, de “pessoas que acreditam, pessoas que servem, rezam, acompanham, cuidam e que se disponibilizam para a missão”.
O sacerdote deu o exemplo dos jovens que continuam a procurar um sentido para as suas vidas, as famílias que desejam transmitir a fé aos seus filhos e os leigos que assumem as responsabilidades ao lado dos sacerdotes e dos consagrados.
“Temos tantas e tantas pessoas que continuam com o coração aceso e disponíveis para continuarmos este empreendimento e este caminho”, frisou.
Durante a sessão foram também apresentados os compromissos assumidos pelas diferentes áreas da pastoral e pelo ensino religioso, nomeadamente pelo Centro de Formação, pela Catequese e pela disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC).
O responsável pela Pastoral terminou com um apelo a que todos abracem este Programa Pastoral e contribuam para que a sua mensagem e propostas cheguem às várias comunidades.
O Bispo de Viseu, D. António Luciano, presidiu à abertura da sessão de apresentação e sublinhou que “no nosso Plano Pastoral todos têm lugar e todos somos chamados”.
O Prelado destacou a importância do tema das vocações, que considera crucial para a vitalidade da Igreja. “Toda a vocação é um dom de Deus e espera sempre uma resposta humana”, afirmou, acrescentando que “todos somos chamados pelo Batismo a viver com alegria a nossa vocação cristã”.
D. António Luciano reforçou que esta é uma missão de todos, apelando ao compromisso dos cristãos na concretização das propostas que integram o Programa Pastoral e desafiando as comunidades a “cuidar das vocações e da sinodalidade em caminho de santidade, na comunhão, na participação e na missão”.
Para esse caminho, apresentou três propostas: “ser imagem de Cristo, como sacerdote, consagrado ou leigo; viver a vocação na consagração para, na missão, servir a Cristo e o povo de Deus; e que todos (Bispo, sacerdotes, consagrados e leigos) possam, unidos ao Papa Leão XIV, responder ao convite para trabalhar pela nossa humanidade”.
O documento, que inclui também as principais atividades diocesanas previstas para o próximo ano, estará, em breve, disponível em formato digital e em papel.
Diocese tem novo logótipo
Durante a sessão foi também apresentado o novo logótipo da Diocese de Viseu. O autor, Diego Torres, deu a conhecer a nova identidade visual, que pretende acompanhar, também neste plano, o caminho de renovação da Diocese. Na sua apresentação explicou que a nova imagem “é uma identidade que nasce da fé e da história, fala do território e olha para o futuro”.
O novo logótipo incidiu na conjugação de quatro conceitos: a Sé de Viseu, a configuração geográfica do território que se assemelha a um coração, a cruz de São Teotónio e as vinhas, que caracterizam o território diocesano.
A apresentação do Programa e do logótipo foi acompanhada por momentos musicais, protagonizados pela Irina e pelo Miguel, e terminou com um Dão de Honra, servido com vinhos da Quinta dos Carvalhiços, proporcionando um espaço de encontro, partilha e convívio entre os participantes.
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