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Investigadora portuguesa destaca discurso «corajoso» do Papa na encíclica «Laudato Si».

A socióloga Luísa Schmidt, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, considera que os quatro anos de pontificado do Papa Francisco foram decisivos para colocar a causa ambiental no centro do debate público e político.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, a investigadora destaca a encíclica ‘Laudato Si’, sobre o Cuidado pela Casa Comum, em que o Papa, através de uma linguagem “límpida, profunda e corajosa”, chama a atenção para um tema “absolutamente central nos dias de hoje – a crise ambiental que afeta a humanidade”

Para Luísa Schmidt, o documento de Francisco “assume, consolida e projeta o discurso científico sobre a crise global e, ao mesmo tempo, não mastiga as palavras do ponto de vista cívico e político, apelando à responsabilização de todos e destacadamente os ‘donos do poder e do dinheiro’”.

“Ao colocar o problema da dívida ecológica dos países do Norte (desenvolvidos) aos países do Sul (em vias de desenvolvimento) ”, o Papa “exorta à responsabilização dos diversos poderes (políticos e económicos) e apela a uma nova ordem em oposição ao sistema atual que, a continuar, conduzirá a um desfecho dramático para a Humanidade”, salienta.

Publicada em maio de 2015, a encíclica antecedeu a concretização de um acordo histórico na conferência do Clima em Paris, contra o aquecimento global; e a aprovação dos objetivos para o desenvolvimento sustentável, firmados pela Organização das Nações Unidas.

Luísa Schmidt está convencida de que o documento do Papa “contribuiu” para os avanços concretizados em matéria da defesa do ambiente e para a “renovação do debate ambiental em termos internacionais, que estava um pouco adormecido na ressaca da crise financeira”.

“Apesar de neste momento testemunharmos os lamentáveis discursos dos responsáveis da nação mais poderosa do mundo, há um grande movimento de contestação dentro dos próprios EUA, em parte também ligado às questões ambientais e das alterações climáticas”, salienta aquela responsável.

No campo da participação da Igreja Católica, a investigadora diz que o documento de Francisco “veio comprometer a Igreja Católica num assunto de que se encontrava afastada, pelo menos em Portugal”.

Exemplo disso mesmo é a recente participação de membros do clero e de religiosos em eventos de formação integrados no projeto ‘Climadapt Local’.

Uma iniciativa coordenada por Luísa Schmidt e que congrega 26 autarquias do país no estudo às alterações climáticas previstas para cada região e na definição de estratégias de adaptação adequadas.

“Contámos com a presença de clérigos em praticamente todos os workshops realizados, o que foi inovador e também uma surpresa perceber que a encíclica estava a ser lida pelos membros da Igreja”, realça a socióloga.

A reflexão do Papa Francisco, e a encíclica ‘Laudato Si’, é tema em destaque num ciclo de conferências intitulado ‘Justiça Ambiental e Ambiente Justo’, que está em curso na Culturgest, em Lisboa, até dia 28 de março.

“Este ciclo pretende divulgar e sublinhar a importância da encíclica ‘Laudato Si’, enquadrando-a nos seus antecedentes e sublinhando aquilo que traz de novo, seja em termos globais, seja em termos nacionais, locais e individuais”, explica Luísa Schmidt, que assume a orientação do evento.

G.I./Ecclesia:JCP

CategoryIgreja, Papa

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