Open/Close Menu A Diocese de Viseu é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica em Portugal

Aproveitando a pausa escolar do Carnaval, 541 alunos e 42 professores, de onze escolas da diocese de Viseu (Mangualde, Santa Comba Dão, Tondela, Molelos, Vouzela, S. Pedro do Sul, Sátão, Penalva do Castelo, Emídio Navarro, Viriato e Alves Martins), deslocaram-se a Taizé, na região da Borgonha, em França, para viver durante uma semana a experiência proporcionada pelos irmãos da Comunidade Ecuménica de Taizé.

Durante este período encontravam-se em Taizé alunos de outras dioceses de Portugal, nomeadamente Santarém, Aveiro, Porto, Lisboa e Coimbra; ainda alguns pequenos grupos da Alemanha, Itália e Polónia, num total que rondava as três mil pessoas.
Os alunos da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica da Diocese de Viseu participam nesta iniciativa há cerca de 15 anos; desde 2013 a visita passou a ser organizada pelo Departamento do Ensino Religioso Escolar do Secretariado da Educação Cristã e alargou-se a todas as escolas secundárias. Entretanto, a experiência tem-se vindo a alargar e a consolidar e este ano tivemos a participação de um número record de alunos e professores.
São muitos os motivos que levam os jovens a Taizé e a querer repetir a experiência. Muitos dos que foram este ano participavam pela segunda ou terceira vez. A vida simples, o trabalho em pequenos grupos, a reflexão diária, o silêncio, a oração três vezes por dia e o espírito de convívio e de confiança são alguns dos motivos. Mas há mais, muito mais! Só indo, só fazendo a experiência, se pode compreender o que leva tantos jovens a viverem um ano inteiro ansiosos, na esperança de voltar.
Dois jovens (a Petra do 10.º ano e o Rodrigo do 12.º ano) falam sobre esta experiência:
“Nunca é fácil dizer adeus a um sítio que nos acolhe tão bem. Nunca é fácil dizer adeus a um sítio onde fomos felizes. E nunca é fácil estar tanto tempo afastado desse lugar. E eu não fui exceção!
Já tinha vivido a experiência de Taizé há dois anos. Como bom filho, as saudades de casa eram enormes, senti o desejo de voltar. Chorei quando vi a “minha casa” outra vez, emocionei-me quando senti novamente o espírito invadir-me o coração.
Tudo superou as minhas expectativas: foi a melhor semana da minha vida.
Por diversos motivos! Um deles foi poder vivenciar esta experiência com duas pessoas importantíssimas da minha família (dois primos) que fez com que eu aprendesse um pouco mais o significado de família. As amizades que fiz, algumas delas que tenho a certeza vão ficar para a vida. Não podia estar mais agradecido a Deus por tê-las trazido para a minha vida! As amizades que eu fortaleci e, também, as amizades que recuperei. Mas fundamental foi sentir Deus tão perto de mim, principalmente durante os momentos de oração. Senti-lo e sentir a Sua presença através de emoções, sentir os seus conselhos, completou a minha semana.
Taizé é isto tudo! Encontrar a nossa paz interior, procurar ajuda, procurar respostas e também procurar a felicidade, estando sempre em contacto com Deus.
Mas não é Taizé que te traz a paz interior ou a tua felicidade. Taizé dá-te forças para alcançares esses objetivos, dá-te motivação. Mas Taizé não faz milagres! Tens que ser tu a lutar para isso, tens que aceitar essas forças e continuar a lutar. Quando achares que as forças acabaram, então sim, volta a Taizé! São João Paulo II disse que “Taizé é como uma fonte, o viajante para, mata a sede e continua o seu caminho.” Nós paramos, recuperamos forças e continuamos, mais fortes, a viver o dia-a-dia.
Para concluir faço dois desafios: convido-vos a passar uma semana em Taizé e a experienciar tudo o que de bom Taizé vos pode dar; aos que já foram a Taizé desafio-vos a não dedicarem o vosso amor a Deus só em Taizé, mas continuar a adorar Deus aqui, nos vossos lares, na vossa escola, na vossa comunidade paroquial.”
Rodrigo Amaral

Esta semana foi algo que não consigo explicar, mas ainda consigo sentir. Acho que o que vivi esta semana me tocou de tal maneira que vou sempre conseguir senti-lo.
Nesta semana, não houve um só dia em que eu não me perdesse, eu que eu quase entrasse na camarata errada, em que eu não perdesse qualquer coisa. Não houve um só dia em que eu não aprendesse algo e acho que também fiz aprender. Não houve um só dia em que eu não fizesse algo que nunca tinha feito, começando por ter passado à frente em todas as filas e acabando por ter chorado desalmadamente abraçada a pessoas que nunca tinha visto na minha vida. Nesta semana percebi realmente o que era o som do silêncio. Aqueles sete ou oito minutos de silêncio, três vezes por dia, foram realmente esclarecedores. Neles, tive a oportunidade de pensar em mim, nos que me rodeiam e nas minhas ações para comigo e para com eles. Tive também a oportunidade de pensar nas minhas escolhas ao longo da minha vida e onde poderia estar se tivesse feito as coisas de maneira diferente. Pensei também no meu futuro e sobretudo no meu presente porque é nesse que eu posso intervir.
Nunca tinha pensado que o silêncio me pudesse trazer tantas respostas e ajudar tanto. O desafio é arranjar um tempinho de silêncio todos os dias para mim.
Taizé trouxe-me também várias lições de vida. Percebi o que andava a fazer mal e descobri que podemos sempre começar do zero e que o arrependimento tem de começar em cada um de nós. Se cada pessoa errar e ficar simplesmente à espera que os outros a perdoem sem se ter perdoado a si mesmo, nunca se vai sentir realmente absolvido. Sei que não sou perfeita e que portanto já cometi alguns erros, e tenho a certeza que irei cometer alguns mais, mas Taizé e as reflexões que lá fiz permitir-me-ão cometer alguns menos.
Esta semana deu-me várias respostas mas também me deixou com várias perguntas. Uma delas tem a ver com o facto de as pessoas irem para Taizé convencidas de que é naquele sítio e naquela semana que vão encontrar as respostas para resolver a sua vida. Para mim, aquele é um lugar mágico mas não é pelo lugar que recebemos as tais respostas. Aquele sítio apenas nos dá o tempo e as ferramentas para pensar e ver que as respostas estão onde sempre estiveram: dentro de nós; apenas temos que as procurar bem.
E foi com este desafio que acabei a semana, tentar levar Taizé sempre comigo. Não é fácil, mas estou certa que irei fazer de tudo para o conseguir. Agora é só contar os dias para a próxima semana de Carnaval.”
Petra Guimarães

G.I./J.B.

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