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Cardeal Marc Ouellet fala no impacto dos casos de abusos sexuais e defende maior presença de mulheres na formação dos sacerdotes.

O prefeito da Congregação para os Bispos (Santa Sé) criticou hoje o que denominou como “rebelião” contra o Papa, apelando à união de toda a Igreja para superar a crise provocada pelos casos de abusos sexuais.

“Estamos a enfrentar uma crise na vida da Igreja, uma crise ao nível da liderança, dos bispos. E até, em certa medida, uma rebelião, uma rebelião. É uma questão muito séria, que tem de ser abordada de forma espiritual, não só política”, declarou o cardeal Marc Ouellet, falando aos jornalistas durante a assembleia plenária do Conselho das Conferências Episcopais Europeias (CCEE), que decorre na cidade polaca de Poznan.

O responsável da Cúria Romana deixou críticas aos “ataques” contra o Papa, considerando-os “uma ofensa muito séria” e “injusta”.

“Manifestar solidariedade ao Papa é uma condição ‘sine qua non’ para a nossa solidariedade entre bispos”, acrescentou o cardeal Ouellet.

A assembleia plenária do CCEE, cujos trabalhos são acompanhados pela Agência ECCLESIA, vai publicar uma mensagem de solidariedade ao Papa Francisco.

Segundo o prefeito da Congregação para os Bispos, com as recentes notícias “há uma consciência crescente da gravidade deste problema dos abusos na Igreja”.

Os relatórios dizem respeito a muitos anos e muitas vezes temos a impressão de que nada foi feito recentemente, mas já foi feito muito para os combater. Penso que é preciso fazer algo mais, dentro da Igreja, na formação dos padres, certamente com mais prudência na escolha dos bispos”, acrescentou.

O Papa Francisco, recordou o responsável da Cúria Romana, já implementou medidas para enfrentar os problemas que surjam com eventual “má gestão” destes casos, por parte dos bispos.

“Estamos a começar a implementá-las, temos de coordenar os vários dicastérios da Santa Sé”, para assegurar que todos trabalham “na mesma direção, com os mesmos parâmetros”, precisou D. Marc Ouellet.

“Penso que vamos acelerar a aplicação das normas, com os novos desenvolvimentos”, prosseguiu.

Tendo como pano de fundo o relatório sobre abusos sexuais na Pensilvânia e o processo que envolve o antigo cardeal McCarrick, nos Estados Unidos da América, o prefeito da Congregação para os Bispos considerou desejável que as pessoas possam manifestar, “com liberdade, a sua cólera, a sua insatisfação”.

“Os pastores devem ouvir e convidar as pessoas que sofreram a manifestar-se, porque se essas feridas não são tratadas, acabam por destrui-las”, observou, lamentando os “danos enormes” provocados pelos abusos às vítimas.

Questionado sobre eventuais falhas que tenham levado a estes casos, o cardeal Ouellet defendeu uma maior presença de mulheres na formação dos padres, “para o ensino, para o discernimento”.

“É um problema humano, é universal”, precisou.

Esta manhã, o vice-presidente do CCEE, cardeal Vincent Nichols, dedicou a sua homilia às vítimas dos abusos sexuais, pedindo que estas vozes “sejam ouvidas”.

“Abramos os nossos corações não só à voz alegre dos fiéis mas também à raiva sofrida dos que querem que os ouçamos”, apelou.

Já o arcebispo de Riga, D. Zbignev Stankevics, criticou a “generalização” das acusações contra todos os membros da Igreja, rejeitando que os abusos sexuais sejam aquilo que “define” a vida e ação comunidade católica.

D. Eamon Martin, arcebispo de Armagh, na Irlanda, admitiu que a recente viagem do Papa ao país ficou “ensombrada” pelos escândalos, mas convidou a ter em consideração a “alegria” da celebração da vida das famílias, no seu Encontro Mundial, que decorreu em Dublin.

“A Igreja não deve considerar a questão dos abusos um tema do passado, como se fosse algo que já acabou, ou como se fosse algo de que nos temos de defender. Pelo contrário, temos de levar tudo isto para o futuro, como uma parte muito real da nossa história, enquanto testemunhamos, ao mesmo tempo, a alegria do Evangelho”, declarou.

O Papa convocou os presidentes de todas as Conferências Episcopais do mundo para um encontro no Vaticano, de 21 a 24 de fevereiro de 2019, dedicado ao tema da proteção dos menores e da prevenção de abusos sobre menores e adultos vulneráveis.

G.I./Ecclesia:OC

 

CategoryIgreja, Papa, Pastoral

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