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Prefeito da Congregação para os Bispos invocou no Santuário a memória de todos quantos têm sido «descartados» pela sociedade.

O cardeal Marc Ouellet, que presidiu à peregrinação internacional aniversária de 12 e 13 de agosto em Fátima, invocou, na Missa da vigília solene da noite do dia 12, a memória de todos quantos perderam a sua vida no meio da atual crise migratória mundial.

Na homilia que proferiu esta noite, o prefeito da Congregação para os Bispos recordou as palavras que o Papa Francisco utilizou aquando do 6.º aniversário da sua viagem à ilha de Lampedusa, acerca das tribulações que milhões de migrantes e refugiados passam, apenas por quererem chegar a um território onde possam viver uma vida melhor.

“São os últimos enganados e abandonados a morrer no deserto; são os últimos torturados, abusados e violentados nos campos de detenção; são os últimos que desafiam as ondas dum mar impiedoso; são os últimos deixados a morrer em acampamentos de acolhimento”, citou o cardeal canadiano, que deixou uma mensagem de alento aos migrantes presentes no santuário.

“Caros amigos migrantes e refugiados, possais vós encontrar, nas vossas peripécias de viagem até à Cidade que Deus prepara para os seus filhos, o testemunho da caridade dos cristãos e dos não-cristãos a fim de conservardes a vossa esperança ao longo do caminho”, assinalou.

Na sua intervenção, D. Marc Ouellet sublinhou ainda a preocupação e a proximidade que Deus sempre tem “com os mais frágeis” e em particular com os migrantes e estrangeiros, reforçada na primeira leitura da Eucaristia desta noite.

“Não violarás o direito do estrangeiro e do órfão (…) lembra-te que foste escravo na terra do Egito”, sublinhou o responsável católico, numa alusão ao percurso do povo de Deus, que foi também migrante e refugiado, e sofreu para sobreviver numa terra que não era a sua.

“Em Jesus, Deus inclina-se e humilha-se por amor; Ele identifica-se com os mais pobres de entre as vítimas do egoísmo e do ódio no mundo”, recordou o prefeito da Congregação para os Bispos, da Santa Sé, que pediu a oração de todos os peregrinos por todas as pessoas que hoje são obrigadas a sair dos seus países em busca de uma vida melhor.

“O povo dos migrantes e refugiados é um povo de seres humanos vulneráveis, descartados, maltratados e desprezados como foi o Crucificado. A vossa solidariedade para com todos, que manifestais através desta peregrinação, é um sinal dos tempos e um sinal de Deus que entra em ação na história”, completou D. Marc Ouellet.

A peregrinação internacional aniversária de agosto, que junta no Santuário de Fátima milhares de peregrinos, teve como tema ‘Tempo de graça e misericórdia: dar graças por peregrinar em Igreja’.

Esta iniciativa vem assim também relevar a tragédia que afeta hoje milhões de pessoas que estão a ser obrigadas a deixar as suas casas devido a problemáticas como a pobreza, a guerra e a perseguição étnica e religiosa.

Esta Peregrinação Internacional Aniversária, em Fátima, tem a particularidade de integrar também a Peregrinação Nacional do Migrante e Refugiado, um dos pontos altos do programa da 47.ª Semana Nacional das Migrações, promovida pela Igreja Católica de 11 a 18 de agosto, cujo tema é “Não são apenas migrantes”.

Agosto é, de facto, um dos meses em que Fátima recebe mais migrantes, sobretudo da diáspora portuguesa.

De acordo com o Santuário, além dos peregrinos lusófonos, acorreram este ano à peregrinação de agosto grupos de fiéis de dezenas de países, como Vietname, Síria, Senegal, Suécia, Polónia, Malásia, França, Reino Unido, Sri Lanka, EUA, Malta, Bélgica, Brasil, Alemanha, Itália, Costa do Marfim, Irlanda, Indonésia e Espanha.

Destaque também para a participação nesta peregrinação de um grupo de Cingaleses e Indianos provenientes de França.

Quanto a membros do clero, participaram na Eucaristia da noite de ontem 72 sacerdotes, 3 bispos e dois diáconos.

As cerimónias de agosto prosseguiram esta terça-feira, dia 13, com a missa internacional, que teve início às 10h00.

A referida Eucaristia integrou a tradicional oferta do trigo, pelos peregrinos, no momento da apresentação dos dons.

Um ritual que se celebra desde 13 de agosto de 1940, quando um grupo de jovens da Juventude Agrária Católica, de 17 paróquias da diocese de Leiria, ofereceu 30 alqueires de trigo destinados ao fabrico de hóstias para consumo no Santuário de Fátima.

No ano passado, o Santuário recolheu 4.685 kg de trigo e 327 kg de farinha, oferecidos pelos peregrinos.

Em 2018 foram consumidos no Santuário: 1 220 000 partículas; 11.000 hóstias médias e 400 hóstias grandes.

As celebrações desta peregrinação tiveram transmissão em direto em www.fatima.pt.

JCP

CategoriaFátima, Igreja, Pastoral

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