Open/Close Menu A Diocese de Viseu é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica em Portugal

Palavra do Senhor; Palavra da Salvação

1.Filhos Caríssimos: Joaquim, Fernando e Sérgio, acompanhados por este presbitério, pelas vossas famílias e por esta grande assembleia acolhei com fé as palavras do Pontifical Romano:

“Deus Pai revelou e realizou o mistério da salvação por meio de seu Filho Jesus Cristo, feito homem, o qual depois de nos ter revelado todas as coisas, confiou à sua Igreja a missão de anunciar o Evangelho a todos os povos” (Pontifical Romano).

Vós hoje, ides ser instituídos como “Leitores que proclamam a Palavra de Deus, ides prestar uma grande ajuda nesta missão. Para isso recebereis no povo de Deus um ofício particular e sereis designados para servir a fé. Que têm a sua raiz na Palavra de Deus. Haveis de ler a Palavra de Deus na assembleia litúrgica, educareis na fé as crianças e os adultos, prepará-los-eis para receberem dignamente os Sacramentos, e anunciareis a Boa Nova da salvação aos homens que ainda a não conhecem. Deste modo, e com vossa ajuda, os homens poderão chegar ao conhecimento de Deus Pai e de seu Filho Jesus Cristo, por Ele enviado, e conseguir a vida eterna.

Quando anunciardes aos outros a Palavra de Deus, recebei-a vós também em docilidade ao Espírito Santo, meditai-a atentamente, para adquirirdes cada vez mais o suave e vivo amor da Sagrada Escritura, e com a vossa vida, revelai o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo” (Pontifical Romano).

2. Celebramos hoje, neste III Domingo do Tempo Comum, o “Domingo da Palavra”, instituído pelo Papa Francisco, como compromisso assumido no Ano da Misericórdia. Dentro de momentos, três irmãos nossos, casados, testemunho de uma família cristã, dão passos a caminho da Ordenação de Diáconos Permanentes. Hoje vão receber o ministério de Leitor, dou-lhes os meus parabéns, às suas famílias e às suas comunidades paroquiais, pelo trabalho pastoral que já realizam neste itinerário da fé que estão a fazer, conscientes da sua vocação batismal, como caminho de santidade, assim como o desafio daí consequente: o chamamento de Cristo, como narra São Mateus no Evangelho. “Arrependei-vos que está próximo o reino dos céus”. Jesus parte das periferias da “Galileia”, para o centro “Jerusalém”, escolhendo homens “periféricos” para O acompanharem nessa missão. Deus chama-nos através da comunidade, mediante discípulos dispostos a aprender do Mestre e a imitá-l’O. O apelo de Jesus: “Vinde e segui-Me e farei de vós pescadores de homens”, também continua hoje a ser ouvido por aqueles que escutam a Palavra de Deus. É preciso como Samuel termos a coragem de dizer: “Falai Senhor que o vosso servo escuta. Quem faz esta experiência como os Apóstolos chamados por Jesus, responde ao chamamento. É desta experiência vocacional, que depois do verdadeiro discernimento alguns têm a coragem de responder sim e logo se cumpre a Palavra do Evangelho: “Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O” (Mt 4, 12-23).

Também vós hoje, sois o paradigma de todos aqueles, que ao longo da história da Igreja, ouviram o chamamento do Mestre e responderam às palavras de Jesus e se colocarem ao serviço da Igreja e do seu povo.

3. Amados irmãos e irmãs no Senhor, a Palavra de Deus, que é viva e eficaz, convocou-nos a todos neste Domingo, para que através da Palavra lida, escutada e proclamada, acolhermos com fé a Palavra do Senhor, que “fala a cada um de nós como a um amigo” (DV, 22) encha o nosso coração de amor, de esperança jubilosa e de confiança paciente.

A Palavra de Deus cumpre a sua missão na vida de cada um de nós. Torna-nos familiares com Deus, “Ele fala-nos como Palavras de Vida Eterna” e que “são mais doces que o mel”. São Pedro lembra-nos: “A quem iremos Senhor? Só vós tendes Palavras de Vida Eterna”. Precisamos de trabalhar mais no conhecimento e estudo da Bíblia. “Quem ignora as Escrituras, ignora o próprio Cristo” (São Jerónimo). Este é um grande desafio feito à Igreja e a todos os batizados.

4. “Este Domingo da Palavra de Deus colocar-se-á, assim, num momento propício daquele período do ano em que somos convidados a reforçar os laços com os judeus e a rezar pela unidade dos cristãos. Não se trata de mera coincidência temporal: a celebração do Domingo da Palavra de Deus expressa uma valência ecuménica, porque a Sagrada Escritura indica, a quantos se colocam à sua escuta, o caminho a seguir para se chegar a uma unidade autêntica e sólida. As comunidades encontraram a forma de viver este domingo como um dia solene” (n. 3).

O Papa Francisco recomenda que neste dia “os Bispos poderão celebrar o rito do Leitorado, ou confiar um ministério semelhante, a fim de chamar a atenção para a importância da proclamação da Palavra de Deus na liturgia” (n. 3).

Dou graças a Deus convosco, e por vós, porque no nosso Programa Pastoral, temos oportunidade de viver este apelo: dois eventos foram vividos neste fim de semana, nos ajudam a entender melhor a liturgia que estamos a celebrar, centrando-nos no mistério Eucarístico, que à luz da Palavra de Deus, como lembrava o salmo 26: “O Senhor é minha luz e Salvação”. O Senhor é o farol que guia os meus passos. Ontem tivemos com estes três homens, casados, um encontro próximo de oração, de reflexão para uma vivência mais profunda do Ministério de Leitor que vão receber e da importância da caminhada que como batizados estão a fazer; o outro evento foi o encerramento solene de dezassete leigos, que durante dois fins de semana, fizeram uma preparação específica e litúrgica para orientar a Celebração da Palavra, ao Domingo na Ausência do Presbítero. Também como vosso Bispo, presidi a essa celebração de leigos homens e mulheres, responsabilizando-os para ajudarem outros cristãos a viver e a celebrar o Domingo, como o Dia do Senhor, na ausência da Celebração da Eucaristia, por falta de presbítero. Este é um tema que deve merecer muito a nossa reflexão devido à diminuição drástica de vocações sacerdotais e ao diaconado permanente.

5. As leituras de hoje a começar por Isaías, que afirma: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Is 8, 23b). Na verdade, quem escuta a Palavra de Deus, a lê e medita é iluminado e vive com alegria a sua fé e dela dá testemunho no meio do mundo.

Nas palavras escritas e humanas da Bíblia descobrimos a ação do Espírito Santo, que nos fala através da “Palavra de Deus” e do seu Verbo Palavra Encarnada. Neste contexto Paulo na segunda leitura lembra aos Coríntios: “Rogo-vos em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma linguagem e que não haja divisões entre vós, permanecendo bem unidos, no mesmo pensar e no mesmo agir” (…), Cristo enviou-nos “para anunciar o Evangelho; não, porém com sabedoria de palavras, a fim de não desvirtuar a cruz de Cristo” (1Cor 1, 10,13-17). Jesus continua hoje a falar e a chamar adultos e jovens para que sejam no meio de um mundo indiferente protagonistas do verdadeiro anúncio do Evangelho.

A grandeza da Palavra de Deus e o poder da sua força salvífica e transformadora está no mistério da sua essência, palavra Divina cheia de profundidade de dom e de valor santificador, tornando-se Palavra reveladora da bondade e da misericórdia de Deus, em favor dos homens. A Palavra de Deus cura e liberta a pessoa humana das suas fraquezas, santifica e exorta, restitui a conversão e dá a vida nova, penetrando o nosso ser até às realidades mais profundas do nosso ser, até às medulas.

A verdade da Palavra de Deus nunca é uma letra morta, mas é sempre vida nova, porque Ela é viva e eficaz.  O Papa Francisco na Carta Apostólica Apperuit illis falando da relação entre a Sagrada Escritura e a Eucaristia, recorda o ensinamento do Concílio Vaticano II: “A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo” (Dei Verbum, 21).  Avançando na reflexão diz: a “Sagrada Escritura lembrando e Sacramentos são inseparáveis entre si. Quando os sacramentos são introduzidos e iluminados pela Palavra, manifestam-se mais claramente como a meta dum caminho onde o próprio Cristo abre a mente e o coração ao reconhecimento da sua ação salvífica” (n.8).

6. Esta celebração convida-nos também a um estudo mais cuidado da Palavra de Deus e da Bíblia, enquanto livro da revelação sagrada. Não basta termos a Bíblia em casa, é preciso lê-la, conhecê-la, estudá-la, amá-la e testemunhá-la. Esta celebração faz-nos um grande desafio, que é uma responsabilidade acrescida numa formação mais sólida sobre o estudo da Bíblia, para melhor proclamarmos o Evangelho do Reino com verdade e liberdade, cuidando mais dos outros com a alegria que nos vem da Palavra de Deus.

Como Maria, que escutou e guardou a Palavra de Deus no seu coração, assim Ela nos ajude a todos nós a sermos mais felizes, ao renovar o nosso sim, para ouvimos a Palavra de Deus com mais fé, guardando-a no nosso coração e pondo-a em prática na nossa vida. Agradeçamos todos a Cristo, Palavra de Deus, esta graça e peçamos-lhe, que o nosso coração, se torne um terreno bom e generoso, para acolher a palavra de Deus e assim produzir bons frutos para a vida do mundo.

Que Maria, Estrela da Nova Evangelização nos ajude a levar ao coração de todas as pessoas, especialmente dos cristãos a Alegria da Boa Nova do Evangelho. Façamos todos o bom propósito de sermos mais felizes e mais fiéis à Palavra de Deus, que quer iluminar a nossa vida.

+ António Luciano, Bispo de Viseu

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