Open/Close Menu A Diocese de Viseu é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica em Portugal

5ª Feira Santa

 

  1. Um povo sacerdotal nascido do mistério pascal, animado pela esperança do novo dia.

“Vós sereis chamados ‘Sacerdotes do Senhor’ e tereis o nome de ‘Ministros do nosso Deus’”. E “firmarei uma aliança eterna” (cf. Is 61,6a.8b-9).

Somos um Povo Sacerdotal que caminha para a Páscoa, convocado por Cristo, o Ungido do Senhor, Sumo e Eterno Sacerdote.

Como afirma a LG, a “Igreja, constituída e organizada neste mundo como sociedade, subsiste na Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em união com ele. (…) A Igreja ‘prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus’, anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha (cf. Cor 11,26). Mas é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades (…), até que por fim se manifeste em plena luz” (LG 8).

Esta Missa, “que o Bispo concelebra com o seu presbitério e dentro da qual consagra o santo crisma e benze os outros óleos, é como que a manifestação da comunhão dos presbíteros com o seu Bispo” (Cerimonial dos Bispos, 274). E um povo que nasce da Páscoa, alimenta a fé, vive a esperança e confia no Ressuscitado, alegra-se e faz festa no dia em que se celebra a Missa Crismal, pois “os Bispos receberam, com os seus colaboradores os presbíteros e diáconos, o encargo da comunidade, presidindo em lugar de Deus ao rebanho de que são pastores como mestres da doutrina, sacerdotes de culto sagrado, ministros do governo” (LG 20).

 

  1. A vocação ao ministério ordenado é um mistério, um dom e serviço.

Escolhidos por Deus de entre o povo, fomos constituídos membros do presbitério duma Diocese. E como presbitério, mesmo em tempos difíceis e complexos, somos chamados a acolher com confiança as palavras de Jesus: “Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi e vos enviei, para que vades e deis muito fruto” (Jo 15,16).

A generosidade do “Sim, quero”, pronunciado hoje como no dia da ordenação, faz da nossa entrega um compromisso na consagração, para ser vivido na fidelidade à missão sacerdotal. Postos à prova em tempo de pandemia, de confinamento e constrangimentos, vamos renovar as promessas sacerdotais, dizendo: “Sim quero, com ajuda de Deus” (Ritual da Ordenação).

Chamados a construir o tecido da nossa identidade presbiteral na visibilidade do sacramento da Ordem, enquanto ministros da Palavra e da Eucaristia ao serviço do Povo de Deus, repetiremos com o salmista: “Senhor, cantarei eternamente a vossa bondade” (Salmo 88).

Diz-nos a LG que “…todos os sacerdotes, tanto diocesanos como religiosos, estão associados ao corpo episcopal em razão da Ordem e do ministério, e, segundo a própria vocação e graça, contribuem para o bem de toda a Igreja. Em virtude da comum sagrada ordenação e missão, todos os presbíteros estão entre si ligados em íntima fraternidade, que espontânea e livremente se deve manifestar no auxílio mútuo, tanto espiritual como material, pastoral ou pessoal, em reuniões e na comunhão de vida, de trabalho e caridade” (LG 28).

 

  1. A vida espiritual e fraterna é um alicerce para a estabilidade sacerdotal.

O Bispo deve convidar os presbíteros a seguir Jesus Cristo “casto, pobre e obediente”, procurando em tudo “fazer a vontade do Pai”, com um coração puro, generoso, desprendido, humilde e pobre, para servir na gratuidade, com cuidado pastoral, o rebanho que lhes foi confiado. Tenhamos presente que a vida espiritual e fraterna, assente na virtude da obediência, será o alicerce importante e fundamental para sermos verdadeiramente livres em Cristo.

Identificados com Cristo que veio “para servir e dar a vida”, resistiremos às tentações que podem colocar em risco a fecundidade do ministério sacerdotal. É fundamental termos sempre presente as palavras de Isaías e de Jesus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos, a proclamar o ano da graça do Senhor” (Lc 4,16-21). Vemos assim que, no Evangelho, está anunciada a nossa identidade e a nossa missão.

O escasso tempo para acolher e escutar os outros, assim como a desculpa generalizada de que temos muito trabalho, podem ser, por vezes, sinais reveladores de uma vida espiritual pobre, sem Espírito, sem autenticidade, e de pouca organização nas prioridades. Pode faltar-nos a escuta da Palavra de Deus, a oração assídua, o discernimento evangélico, que são fundamentais para transformar a negatividade da vida em vida espiritual e pastoral fecunda. Um padre quando reza, estuda, contempla, trabalha e sacrifica a sua vida em favor da paróquia, celebra a Páscoa.

O serviço pastoral dos presbíteros deve também privilegiar o serviço e a partilha dos bens nas dificuldades, nas incompreensões e nas provações. Servir na gratuidade o Povo de Deus ajuda a alcançar a conversão pessoal e a renovação pastoral.

 

  1. A alegria de ser um presbitério que procura viver a comunhão.

Quero hoje convidar-vos também a meditar sobre o dom da comunhão e da unidade em presbitério. Nunca é demais sublinhar esta necessidade de reconhecer a realidade do nosso presbitério na dimensão da vivência da fé e dos costumes, da esperança pascal e da caridade, num diálogo com todos, aceitando os desafios da fraternidade e da amabilidade pastoral, diante do ‘ícone iluminador’ do bom samaritano (cf. Fratelli Tutti, 67).

As crises não são só para os outros. Elas também nos podem atingir. Por isso, sejamos santos e também misericordiosos como o Bom Samaritano, que soube cuidar do seu próximo. “A misericórdia tem dois aspetos: é dar, ajudar, servir os outros, mas também perdoar, compreender. Mateus resume-o numa regra de ouro: ‘O que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles’ (Mt 7,12)” (Papa Francisco, Alegrai-vos e exultai, 80).

Neste contexto, gostaria de falar sobre o repouso dos sacerdotes. Reflete o Papa Francisco: “O cansaço dos sacerdotes! Sabeis quantas vezes penso nisto, no cansaço de todos vós? Penso muito e rezo com frequência, especialmente quando sou eu que estou cansado. Rezo por vós que trabalhais no meio do povo fiel de Deus, que vos foi confiado; e muitos fazem-no em lugares demasiado isolados e perigosos. E o nosso cansaço, queridos sacerdotes, é como o incenso que sobe silenciosamente ao céu. O nosso cansaço eleva-se diretamente ao coração do Pai” (Na Alegria…, p. 162).

É perante o cansaço que devemos saber parar e procurar a Deus, como nos ensina o Mestre: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos” (Mt 11,28).

 

  1. Identificados com Cristo, sementes de vocação

Pelo dom da Ordenação, o Espírito do Senhor ungiu-nos para constituirmos um presbitério onde todos precisamos de cuidar uns dos outros.

Dedicados a viver a missão em caminho de santidade, identificados com Cristo mestre, sacerdote e pastor, seremos sementes fecundas de novas vocações sacerdotais. Tenhamos presente que uma paróquia, sem um jovem a sonhar com a vocação ao serviço da Igreja, é pobre. E isso afeta o seu futuro e sustentabilidade.

Em nome da pastoral juvenil e das vocações da diocese, apelo a que olhemos para JMJ como uma oportunidade de evangelização dos jovens e de os desafiar ao bom acolhimento da pastoral vocacional e familiar, valorizando todos o Ano “Família Amoris Laetitia”.

 

  1. Fiéis na vocação, Sacerdotes a tempo inteiro.

Mas neste dia não podemos deixar de salientar também o Jubileu Sacerdotal de ordenação de um número significativo de sacerdotes, e que é para todos motivo de alegria, de festa e de ação de graças.

Celebram 25 anos de ordenação sacerdotal os Reverendos: Padre Alcides Fernando Tavares Vilarinho; Padre Carlos Alberto Ramos de Sousa; Padre Francisco Alexandre Domingos; Padre João Pedro Ferreira Cardoso; Padre Jorge Carvalhal Pinto; Padre Paulo Diamantino Estevão Rodrigues; e lembrando também o Padre João Carlos de Almeida Carvalho, incardinado presentemente na Diocese de Aveiro.

Celebram 60 anos: Padre Armando Matos da Costa; Padre Celestino Correia Rodrigues Ferreira; Padre Miguel Rodrigues Pereira.

Celebram 70 anos: Padre Daniel Lopes dos Santos e Padre Carlos Marques Lima. E faço ainda memória do Monsenhor Sílvio Duarte Henriques, falecido recentemente.

Sacerdotes generosos, que procuram viver a vocação num caminho de santidade, servindo com alegria o povo de Deus e desempenhando as funções que lhe estão confiadas.

– Caros aniversariantes, felicito-vos e agradeço a Deus e às vossas famílias e comunidades o dom do vosso sacerdócio.

Lembremos e rezemos também por todos os sacerdotes doentes e por aqueles que já estão na Casa do Pai.

Confiemos todos a Maria, Mãe dos Sacerdotes, a São Teotónio e, neste Ano jubilar, a São José, a nossa vida e o nosso ministério. Como bons administradores e “guardiães da Igreja”, cuidemos dela cheios de esperança e entusiasmo Pascal. Ámen.

 

Sé de Viseu, 1 de abril de 2021

† António Luciano dos Santos Costa, Bispo de Viseu
CategoryBispo, Diocese

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