A Catedral de Viseu recebeu a Cerimónia do Compromisso pela Paz, ontem à tarde, 11 de janeiro, promovida pelo Secretariado Diocesano de Educação Cristã (SDEC) e presidida pelo Bispo de Viseu, D. António Luciano.
Na celebração de defesa e compromisso pela paz, foram entregues oliveiras, símbolo bíblico e universal da paz e reconciliação, a 74 paróquias, através da catequese, e 27 agrupamentos de escolas, através da disciplina de EMRC. Desta forma, em cada paróquia e em cada escola, nascerão “Jardins da Paz”, sinal visível do compromisso de todos.
Abel Dias, diretor do SDEC, recordou que “a paz é o dom de Deus”, “uma tarefa humana e responsabilidade de todos”, e que esta cerimónia pretendeu sensibilizar crianças, adolescentes e jovens para a importância de ”rezar pela paz, mas também para que cada um seja construtor da paz”. “Temos uma grande responsabilidade de educar as crianças que nos foram confiadas. Vivemos um tempo onde a normalização do ódio parece ser uma evidência, onde existe guerra física, mas também de palavras, atitudes e convicções. Enquanto cristãos temos uma grande responsabilidade de educarmos na paz”, reforçou.
O responsável contextualizou que esta iniciativa surge no final de um Ano Jubilar, que decorreu sob o mote “Peregrinos de Esperança”. “Os Peregrinos de Esperança somos nós e queremos ser não só Homens de esperança, mas também Homens de paz. Homens e mulheres que se comprometem com a paz, para com eles próprios, para com as suas famílias, para as suas comunidades e para com o mundo. Comprometermo-nos com a paz é uma tarefa de cada um de nós”, frisou.
O Bispo de Viseu, D. António Luciano, que procedeu à bênção das oliveiras e à sua entrega aos participantes, acompanhada por uma vela, símbolo da luz que ilumina a Igreja e o mundo, congratulou a iniciativa e sublinhou a importância de se transmitir às gerações mais novas o valor da construção da paz. “Que estas oliveiras cresçam entre vós e vos recordem o compromisso de viver, cuidar e semear a paz em todas as circunstâncias da vida”, afirmou.
Dirigindo-se, de um modo particular, aos mais pequenos, D. António Luciano felicitou-os por terem aceite o desafio de estarem presentes em prol da paz, neste dia, que encerra o ciclo litúrgico do Natal, com o batismo de Jesus. “No meio do deserto do nosso mundo, onde falta o amor, a justiça, a fraternidade, a igualdade e onde prevalecem raízes de ódio, de violência, de guerra, de injustiça e de maldade, convido-vos a serem protagonistas da paz, ajudando também quem mais necessita”, apelou.
Na celebração, animada pelo Coro Infanto-juvenil da Paróquia de Abraveses, os presentes, já com as oliveiras e as velas acesas, comprometeram-se a “cuidar da paz, como se cuida de uma árvore: com paciência, fidelidade e amor, para que dê frutos nas nossas vidas e comunidades”.
Lançada campanha solidária a favor de crianças vítimas da guerra
Durante a celebração, foi lançada a campanha “Um Futuro Melhor”, através da venda do lápis solidário, destinada a apoiar crianças órfãs, vítimas da guerra, acolhidas no orfanato ‘Tout Est Grâce’, situado na Diocese de Butembo-Beni, República Democrática do Congo, norte de África, região marcada pelo conflito.
Todos podem contribuir com a compra de lápis, que serão vendidos nas paróquias, agrupamentos de escolas e na Casa Episcopal. Não têm um valor fixo e cada um pode contribuir com o valor que quiser.
Esta campanha conta ainda com a colaboração do Padre Claudino Gomes, missionário comboniano com ligação à Diocese de Viseu, que está na República do Congo e que assegura que as verbas serão usadas no apoio às crianças órfãs, vítimas da guerra e dos massacres das suas famílias.
O orfanato foi fundado em 2014, ano em que começaram os massacres. Atualmente acolhe 69 crianças, em duas casas alugadas para o efeito. O orçamento anual roda os 130 mil euros e os fundos irão ajudar a garantir uma boa qualidade de vida e educação das crianças em todas as dimensões.
Abel Dias, que apresentou o projeto, reforçou que “não chega rezarmos pela paz, não chega sermos construtores de paz, também é necessário termos gestos concretos de paz”. “A paz, a solidariedade e a esperança são valores que nós não podemos deixar morrer”, apelou.
Galeria de imagens, vídeos e apresentação do projeto solidário disponível no Facebook da Diocese de Viseu.