Com o fim das festas dos Santos Populares chega também o Verão, uma época tradicionalmente associada ao tempo de férias, ao descanso e à necessária pausa na rotina diária. Durante muito tempo, as férias eram entendidas como uma mudança de lugar e de ritmo: partia-se para aldeias, vilas, campo, montanhas, praias, termas ou outros espaços de repouso e reencontro, procurando recuperar forças e renovar a vida.
Hoje, porém, o conceito de férias foi-se transformando. Já não se limita apenas a um período específico do ano, mas distribui-se por diferentes momentos, como oportunidade de descanso, equilíbrio e procura de maior qualidade de vida.
As férias estão hoje ligadas a diversos fatores, como o turismo, a mobilidade humana e a descoberta de novos lugares e culturas, mas devem ter sempre como horizonte o equilíbrio e o cuidado integral da pessoa humana.
As férias são necessárias e devem fazer parte da organização da nossa vida, não como um simples afastamento das responsabilidades, mas como um tempo de renovação, encontro e crescimento, vivido em família, em comunidade e na relação com os outros.
Também os jovens encontram nestes períodos oportunidades de encontro e de aprofundamento da fé. São momentos vividos através de iniciativas como o Rejoice, que terá lugar em Lamego, a participação nas Jornadas Mundiais da Juventude, como a que se realizará em Seul, na Coreia do Sul, outros eventos, cursos, encontros, festas, acampamentos de Escuteiros, experiências vocacionais, voluntariado e tantas outras propostas que ajudam a construir comunidade e a fortalecer valores de fraternidade e serviços comuns.
Existe uma grande procura por momentos de descanso, mas também uma grande diversidade de encontros que enriquecem este tempo: iniciativas de formação, espiritualidade, liturgia, ação missionária, festas das aldeias e celebrações em honra de Jesus Cristo, de Nossa Senhora e dos santos padroeiros.
O rejuvenescimento humano, espiritual, moral, ético e cívico necessita de tempos de pausa, oração, leitura, visita, contemplação, passeio e encontro. As férias podem ser uma oportunidade para nos aproximarmos de Deus, da Igreja, das famílias, dos idosos, dos doentes, dos emigrantes e de todas as pessoas de boa vontade, fortalecendo laços e renovando compromissos.
Todos somos chamados a recriar o espírito e a revigorar a esperança junto dos familiares, dos amigos e daqueles que encontramos no caminho.
Umas merecidas férias são um dom de Deus. Uma pausa para descansar depois de longos períodos de trabalho, de esforço e de preocupações, recuperando forças para continuar a caminhar com mais serenidade e esperança.
A vida académica faz também agora uma paragem antes de retomar o próximo ano letivo, em especial os professores e alunos que terminaram os exames e as atividades académicas.
Mas, noutros países continuam as guerras, a violência, negociações fracassadas e um desejo mundial de uma paz duradoura, desarmada e desarmante. Rezemos pela paz, sejamos construtores de pontes de concórdia, respeito e amizade. Sigamos os apelos do Papa Leão XIV, para construir a paz no coração dos Homens, nas famílias, na Igreja, nas nações e na humanidade.
Nestes dias, o nosso coração volta-se também para o povo da Venezuela, que atravessa momentos de grande sofrimento na sequência dos sismos ocorridos a 24 de junho, que provocaram destruição, vítimas mortais, desaparecidos e famílias em situação de profunda fragilidade.
Perante este cenário de dor, marcado pela destruição, morte, desespero, incerteza e pelo sofrimento de tantas pessoas, somos chamados à oração, confiando a Deus aqueles que perderam a vida e pedindo força e esperança para os sobreviventes e para todos os que continuam envolvidos nas operações de socorro e reconstrução.
A solidariedade deve traduzir-se também em gestos concretos de partilha e proximidade. A Diocese de Viseu, através do seu Fundo de Emergência, associou-se a este momento de provação, disponibilizando uma ajuda monetária à Cáritas Nacional da Venezuela, através da Nunciatura Apostólica, como expressão de comunhão, fraternidade e apoio ao povo venezuelano.
Também a Cáritas Portuguesa lançou a campanha “A esperança também chega através de si”, apelando à generosidade de todos através da angariação de donativos monetários e de bens, em articulação com a Cáritas da Venezuela, para responder às necessidades mais urgentes das populações afetadas.
Estejamos atentos ao sofrimento dos nossos irmãos e irmãs, procurando transformar a solidariedade em gestos concretos de ajuda e proximidade. Rezemos por este povo nas nossas assembleias litúrgicas, confiando ao Senhor todos aqueles que sofrem e pedindo força e esperança para os que enfrentam este momento difícil.
+ António Luciano, Bispo de Viseu