A Igreja contemporânea vive um tempo particularmente desafiante e fecundo. O apelo à sinodalidade, convida-nos a redescobrir que caminhar juntos não é apenas um método de organização pastoral, mas uma forma de ser Igreja. Estamos perante a redescoberta da dimensão constitutiva da própria Igreja: ser o Povo de Deus.
Na Diocese de Viseu, esta realidade ganha especial significado ao assumir-se a sinodalidade e a Pastoral Vocacional como prioridade pastoral para os próximos anos. Trata-se de uma oportunidade para renovar comunidades, fortalecer a comunhão e despertar uma verdadeira cultura vocacional.
A vocação nasce sempre de um encontro. Antes de ser uma resposta humana, é iniciativa de Deus, que continua a chamar homens e mulheres para diferentes formas de vida e serviço. No entanto, esse chamamento precisa de encontrar comunidades capazes de escutar, acompanhar, discernir e enviar. A este respeito, o Teólogo Yves Congar insistiu que a Igreja é uma comunhão orgânica de carismas, ministérios e vocações, onde cada dom é concedido «para a utilidade comum» (cf.1 Cor 12,7). Assim, toda a vocação nasce, cresce, é discernida e confirmada no interior de uma comunidade que escuta, acompanha, reconhece e envia.
Esta visão permite superar uma compreensão restrita da pastoral vocacional, que durante muito tempo foi entendida, quase exclusivamente, como promoção das vocações ao sacerdócio e à vida consagrada. Graças à receção do Concílio Vaticano II, hoje compreendemos melhor que toda a pastoral deve ser vocacional, porque todos os batizados participam da vocação universal à santidade. A sinodalidade oferece um ambiente privilegiado para este despertar vocacional. Quando as comunidades criam espaços de diálogo, oração, participação e corresponsabilidade, os jovens e os adultos sentem-se verdadeiramente acolhidos e valorizados. É na experiência de uma comunidade viva, que se aprende a perguntar: «Senhor, que queres de mim?».
Neste sentido, para a Diocese de Viseu, assumir como prioridade a “sinodalidade como caminho para a Pastoral Vocacional”, implica algumas opções concretas:
– formar comunidades autenticamente sinodais, capazes de escutar em profundidade;
– investir numa sólida formação cristã dos leigos e das comunidades;
– fortalecimento de uma verdadeira cultura do acompanhamento espiritual;
– integrar a dimensão vocacional em toda a pastoral ordinária (Pastoral Integrada). Todos os âmbitos da pastoral devem assumir que educar para a vocação faz parte da sua missão;
– valorizar o testemunho. Os jovens procuram referências credíveis. Mais do que discursos, precisam de encontrar cristãos felizes na sua vocação. Uma Igreja sinodal é também uma Igreja onde o testemunho gera novas vocações;
Finalmente, a sinodalidade recorda-nos que a pastoral vocacional não pertence apenas a um secretariado. É responsabilidade de todo o Povo de Deus. Cada comunidade é chamada a rezar pelas vocações, a criar ambientes onde elas possam nascer e crescer. Assim, caminhando juntos, poderemos construir uma Igreja Diocesana mais missionária e mais fecunda em vocações. Porque uma Igreja [diocese] sinodal é, inevitavelmente, uma Igreja vocacional.
Pe. João Zuzarte