A Semana Nacional de Migrações, este ano subordinada ao tema “Da Fragilidade à Esperança”, que estamos a celebrar até ao dia 16 de agosto, convida-nos a renovar o olhar sobre aqueles que deixam a sua terra em busca de segurança, trabalho, dignidade e futuro.
Nesta semana, a Igreja lembra-nos que ninguém deve ser visto como um problema, um obstáculo, mas como um irmão em proximidade. Que a sociedade em que vivemos, particularmente as comunidades cristãs, saibam acolher, compreender, integrar e apoiar, com gestos concretos de solidariedade, aqueles que procuram uma vida mais digna com esperança.
A vulnerabilidade do ser humano, exposta hoje na pobreza e na vida dos migrantes e desalojados, deve levar os cristãos a buscar uma nova sensibilidade e pensar com seriedade em todos aqueles que, por falta de trabalho, de casa, de pão e de ordenado se sentem obrigados a sair da sua terra rumo a um destino desconhecido, onde a possível tragédia e morte os surpreende, interrompendo o futuro almejado.
A realidade migratória atual manifesta-se de forma descontrolada, como tem vindo a ser noticiado, o que levou os governantes da Europa comunitária a reunir-se para tomar conta do fenómeno de milhares de pessoas vindas de Marrocos e de outros países de África que chegam por mar a Ceuta, com o objetivo de sonhar com a Europa.
À luz dos valores defendidos pelo Papa Leão XIV, que já manifestou a sua preocupação com a situação em Ceuta, somos chamados a colocar a pessoa humana no centro das nossas decisões. Acedamos ao seu pedido e rezemos pela paz, “para que cessem as guerras no mundo e se encontrem soluções diplomáticas para os conflitos”. Como cristãos e pessoas de boa vontade sentimos que a Doutrina Social da Igreja ainda não é uma resposta eficaz às situações mais gritantes de miséria no mundo.
Peço que nas várias comunidades, as Missas de sábado e domingo, dias de preceito, sejam feitas preces por todos os migrantes e por aqueles que sofrem o flagelo de se sentirem abandonados.
Que a empatia, o respeito, a oração e a solidariedade sejam as premissas principais na defesa e na promoção da dignidade dos migrantes, imigrantes e emigrantes.
+ António Luciano, Bispo de Viseu