Open/Close Menu A Diocese de Viseu é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica em Portugal

“Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus”.

Queridos irmãos e irmãs, começa hoje o tempo da Quaresma. Façamos juntos o caminho para a Páscoa com alegria e esperança.

A Quaresma é um tempo de escuta de Deus, de encontro com o Senhor da Vida, para recomeçar de novo e recentrar a vida com entusiasmo e qualidade cristã na relação com Deus e com o próximo. Somos um povo peregrino a caminho da Páscoa, chamados a viver juntos os desafios da sinodalidade e da espiritualidade cristã.

A Quaresma é um tempo de graça, favorável para viver os dons da salvação, quarenta dias de caminho rumo à Páscoa. É um tempo de conversão, penitência e renovação interior para todos os cristãos. Um tempo de reconciliação com Deus, com os irmãos, com a Igreja e com a natureza.

As cinzas que vamos receber na nossa cabeça recordam-nos duas verdades essenciais: a fragilidade da nossa vida – “Tu és pó e ao pó hás de voltar” (Gn 3,9) – e a urgência da conversão – “Convertei-vos e acreditai no Evangelho” (Mc 1,15).

A liturgia de hoje convida-nos a voltar ao coração de Deus misericordioso e compassivo com humildade e sinceridade, deixando que Ele nos renove a partir de dentro.

É um tempo por excelência de chamamento para viver a vocação batismal no essencial da nossa vida. A Palavra de Deus convida-nos a atitudes novas de mudança interior, de arrependimento e de reconciliação, a fim de alcançarmos o perdão dos pecados.

Na primeira leitura, o Profeta Joel (2,12-18) proclama com vigor: “Agora diz o Senhor, convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes”.

Com estas palavras, o Profeta lembra-nos que a conversão não é um gesto exterior, mas interior. Rasgar o coração significa deixar que Deus o transforme, curando aquilo que o pecado nele fez de mal. Um coração endurecido não é capaz de escutar o Senhor. Precisamos de caminhar com humildade e generosidade.

O Papa Leão XIV convida-nos a escutar a Palavra de Deus para a nossa vida mudar para melhor. O que é que Deus quer de mim. Converte-te a mim de todo o coração. Sintamos a alegria da conversão e do arrependimento dos nossos pecados. A misericórdia de Deus é sempre maior do que o pecado.

Na sua mensagem, “Escutar e jejuar. Quaresma como tempo de conversão”, o Santo Padre convida-nos a escutar a Palavra de Deus com fidelidade e docilidade ao Espírito Santo. Recorda-nos a importância do nosso estilo de vida e pede-nos para redimensionarmos o nosso modo de agir perante o outro, libertando-nos do egoísmo, da indiferença, do individualismo, do pecado e de tudo aquilo que é contrário à fé e aos costumes.

Durante este tempo litúrgico, peço a todos os batizados que vivam a vocação cristã na prática da caridade, em oração, com boas obras, através do jejum e da abstinência, proposto hoje e nas sextas-feiras da Quaresma, dias em que “se deve escolher uma alimentação simples e pobre, que poderá concretizar-se na abstenção de carne”.

Na segunda leitura, São Paulo (2Cor 5,20 – 6,2) faz eco do apelo à conversão: “É por Cristo que vos imploramos: deixai-vos reconciliar com Deus”. A Quaresma é o “tempo favorável” e o “dia da salvação”, vivido em cada dia.

Deus não se cansa de nos chamar ao amor. São Paulo recorda-nos o mistério da Cruz, onde o crucificado sofreu e morreu por nós para nos perdoar os nossos pecados e oferecer a vida nova. “Àquele que não conhecera o pecado, Deus por nós O fez pecado, para que n`Ele nos tornássemos justiça de Deus”. Converter-se é acolher este amor de Deus e deixar-se transformar interiormente. O pecado cria separações em nós, rotura, divisão e morte. A reconciliação restaura a comunhão, constrói a unidade e devolve a paz ao coração.

A Quaresma é um tempo litúrgico favorável à salvação, não é um tempo de tristeza, de culpabilização, mas de libertação, de cura, de alegria e de esperança. Com a graça do Espírito Santo somos curados, reconciliados e a Quaresma torna-se um tempo privilegiado para nascer de novo. Aprendamos a buscar Jesus para a nossa vida, pois só Ele nos oferece a “vida em abundância”.

No Evangelho (Mt 6,1-6. 16-18) Jesus ensina como devemos viver esta conversão. Fala de três práticas fundamentais – a esmola, a oração e o jejum – e purifica o seu sentido e prática evangélica.

Adverte-nos também do seguinte: “Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles”. O Senhor deseja a verdade, a transparência e a sinceridade do coração: “Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda, o que faz a direita”.

“Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai em segredo; e o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa”.

“Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto”. Tudo deve ser feito com amor e não por aparência. A penitência purifica o coração e liberta a alma do mal.

Estas três atitudes fazem parte do caminho quaresmal: Esmola, a partilha que nos abre o coração ao irmão em fraternidade e solidariedade. Oração, abre o nosso coração a Deus e intercede pelos irmãos. Jejum, liberta-nos a nós mesmos e faz-nos crescer na ascese e na penitência, valorizando a abstinência. São gestos e atitudes simples, que transformam a nossa vida e enriquecem a nossa espiritualidade cristã. Dão sentido à nossa vida e à nossa fé e educam o coração e a razão para amarmos com mais autenticidade e verdade a Deus e ao próximo.

O símbolo das cinzas tem um sentido profundo. Lembram-nos a nossa natureza humana frágil e o nosso pecado, recordando-nos que somos limitados e precisamos da força e da ajuda de Deus. A imposição das cinzas com o sinal da cruz na cabeça transforma o coração e convida-nos à conversão com humildade e confiança. Senhor ajuda a minha decisão de melhorar a minha relação contigo. Ao reconciliar-me contigo, abro o meu coração em proximidade para servir os irmãos. As cinzas que aqui hoje vos vão ser impostas são fruto dos ramos benzidos no Domingo de Ramos.

Convido-vos a todos a fazer cada um o seu programa quaresmal inserido na proposta da Diocese, que nos convida a ser “Protagonistas da Mudança”.

Comunico-vos que a Renúncia Quaresmal na nossa Diocese de Viseu destina-se a dois fins: ajudar as vítimas das tempestades que assolaram a região centro de Portugal e reforçar o Fundo Diocesano de Emergência.

Rezemos pelas vítimas das tempestades, pelo fim da guerra, pela paz no mundo, pelos pobres, pelos doentes e por todos aqueles que hoje iniciam este tempo santo da Quaresma a caminho da Páscoa da Ressurreição.

Imploremos de Deus a sua bênção, por intercessão de Nossa Senhora, Mãe da Igreja, de São Teotónio, de São Francisco e Santa Jacinta Marto e da Beata Rita Amada de Jesus. Ámen!

Viseu, 18 de fevereiro de 2026

+ António Luciano, Bispo de Viseu

CategoryBispo, Diocese, Viseu

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