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“O Verbo de Deus Encarnou e habitou entre nós e da sua plenitude, todos nós recebemos graça sobre graça” (cf. Lc 1, 1-18).

Queridos irmãos e irmãs, que seja para todos vós um Natal de Jesus marcado pela alegria, pela paz, pela esperança numa vida animada por sonhos de bem-aventurança e pelo testemunho da Luz.

“Mas quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o Seu Filho nascido de uma mulher” (Gl 4,4) e assim se cumpriram as Escrituras e o Pai revelou-nos Jesus, como seu Filho único para salvar o mundo.

O Advento chegou ao fim como tempo litúrgico, mas deixou-nos mais ricos com a espiritualidade e testemunho dos profetas, através dos quais Deus falou ao seu povo, prometendo-lhe o nascimento do Seu Filho Primogénito.

O Natal é a festa da vida, do amor, da bondade, da mansidão, da alegria, da esperança e da paz. Nasceu o Salvador do mundo, Ele é o Príncipe da Paz, o desejado de todas as nações que vivem em guerra e conflitos como a Ucrânia, a Rússia, a Terra Santa, Israel, a Palestina e tantos outros países do mundo, que sofrem violência, perseguição, destruição e morte de inocentes.

Como nós ficamos chocados e tristes com as imagens que nos mostram os Meios de Comunicação Social, onde tantas vítimas de pessoas inocentes vivem em lugares, que são sinais de caos, de destruição e de morte.

Neste Natal somos todos chamados a revelar Jesus ao mundo, como Salvador e Príncipe da Paz, como a verdadeira “Raiz da Alegria” e da paz. Como nos dizia Isaías na primeira leitura: “Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova e proclama a salvação” (Is 52,7). Estas palavras fazem soltar brados de alegria e esperança, porque o Senhor consola o seu povo que vivia no meio da destruição dos seus haveres e das ruínas de Jerusalém. O Senhor vem iluminar o seu povo com a luz divina: “Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus” (cf Sl 97 (98).

São Francisco de Assis construiu há 800 anos o primeiro presépio vivo em Greccio, Itália, quando regressava de Roma e aí celebrou a Missa da noite de Natal com os seus irmãos e o povo de Deus. Foi uma festa de alegria e de adoração a Jesus, que nasceu em Belém a cidade do pão de Maria na companhia de São José. Como os pastores adoremos Jesus no presépio e sejamos todos como São Francisco “construtores da Paz e do Bem”.

Como Igreja acolhamos em cada dia Jesus, o nosso Salvador na Palavra, na Eucaristia e nos Sacramentos, pois Ele vem ao nosso encontro para nos manifestar a sua glória e que nós lhe ofereçamos como maior presente  a nossa própria vida.

Quanto mais nos aproximamos de Jesus no presépio, contemplando o Salvador do mundo com Maria e José, mais conheceremos o “Evangelho da Alegria” importante para caminharmos em Igreja, como batizados, para ir ao Seu encontro neste Natal, fazendo a experiência do caminho sinodal no acolhimento, na escuta, no conhecimento, no diálogo, para em “tudo amar e servir Jesus”.

Tantas vezes, a nossa vida e a prioridade pastoral ficaram centradas nas coisas terrenas, materiais, sensíveis e inacabadas, em vez de procurarmos dar sentido à vida e lugar à dimensão interior do sonho das coisas espirituais e eternas.

Devemos por isso procurar um caminho novo de renovação pessoal e pastoral, de conversão à verdadeira vida e felicidade, que Jesus nos veio trazer com o seu nascimento, desejando o dom de Jesus para a nossa realização pessoal.

A felicidade que Deus nos oferece e quer dar a cada um de nós para sermos felizes contempla-se também no presépio onde Ele próprio se oferece como Filho Unigénito de Deus e de Maria na companhia do pai adotivo São José.

A felicidade está mais em dar do que em receber, diz a Sagrada Escritura. Receber Jesus como Filho de Deus em cada criatura, amando a Deus sobre todas as criaturas e ao próximo como a nós mesmos. Deus amou-nos e deu-nos a vida em abundância no seu próprio Filho. Veio ao nosso encontro para nos salvar.

Jesus Cristo é o grande do júbilo do “sim” de Deus à humanidade, que entrou na nossa vida e na história dos homens através do seu nascimento de Jesus em Belém. É importante não perder esta recordação da presença de Deus na nossa vida, que nos “falou muitas vezes”, libertando-nos do mal e do pecado. O Natal é a festa dos parabéns a Jesus e da gratidão porque veio habitar entre nós. E esta gratidão transforma-se em esperança, é estrela da esperança, que nos dá confiança, é a luz…” (Bento XVI, 12/10/2011).

A Liturgia do Natal lembra que: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz”. A humanidade precisa de ser iluminada pela luz que nos vem de Jesus. O Evangelho de hoje, no Prólogo de São traz-nos essa luz e convida-nos a sermos testemunhas da Luz”.

Na noite fria de Natal a luz de Deus iluminou e aqueceu a humanidade com a generosidade do seu amor fraterno e solidário dada à vida da pessoa humana.

Esta luz brilhou para todo o género humano na noite santíssima de Natal e a partir desse momento a luz de Deus revelou-se no “Seu Filho Unigénito” iluminou a vida de cada homem, que encontrou no mistério do Verbo Encarnado plenitude e graça e tornou-se para todos os que o receberam seus filhos na vida em abundância (cf. GS 22).

O Natal cristão é sempre a celebração da festa da vida de Jesus, o Verbo Encarnado presente no meio de nós. É preciso defender o Natal cristão do atual modelo consumista e de indiferença, que afeta a sociedade atual.

Com Jesus, Maria e José desejo a todos vós, às vossas famílias, aos pobres, doentes, imigrantes, refugiados e pessoas de boa vontade, votos de Santas Festas de Natal com alegria e paz,  com o sonho de Jesus nascer de novo no nosso coração e na nossa vida, em toda a humanidade. “Paz e Bem” em Jesus, Salvador do mundo. Ámen!

+ António Luciano, Bispo de Viseu

 

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