Durante a manhã do passado sábado, 7 de fevereiro, decorreram as I Jornadas da Comissão Diocesana Justiça e Paz, subordinadas ao tema ‘Acolhimento e Integração de Imigrantes: Construir pontes’, que se realizaram na Escola Superior de Saúde de Viseu.
A iniciativa teve como objetivo refletir sobre a integração dos imigrantes, sensibilizar para a importância da inclusão e promover o debate em torno dos desafios e das boas práticas, incentivando o diálogo e a partilha de experiências para a construção de comunidades mais abertas, solidárias e inclusivas.
“A questão da dignidade humana não é um problema apenas das pessoas que vêm de outros países, é uma realidade que se coloca todos os dias também àqueles que aqui nascem e sempre aqui viveram. Contudo, esta questão torna-se particularmente sensível para quem vem de fora, para aqueles que precisam de se instalar, integrar e encontrar o seu lugar, mas que muitas vezes não encontram respostas apropriadas nem atempadas para as suas necessidades”, começou por referir Helena Castro, coordenadora da Comissão Diocesana Justiça e Paz.
A responsável explicou que estas jornadas resultam de um estudo piloto, feito ao longo do último ano, através de um questionário aplicado aos vários municípios da região, com o objetivo de traçar um retrato local da imigração, fenómeno que tem vindo a aumentar nos últimos anos, destacando-se a comunidade brasileira como a mais numerosa. “O nosso objetivo foi procurar fazer um diagnóstico para conseguirmos traçar um retrato socioeconómico que permita compreender como vivem, onde vivem e como trabalham estas pessoas, avaliando a gravidade das condições habitacionais, a eventual existência de situações de sobrelotação, como tem sido noticiado, bem como possíveis casos de exploração no mundo do trabalho”, referiu.
A dificuldade no acesso ao mercado de trabalho, as condições de precariedade habitacional e o recurso a empregos menos qualificados, frequentemente com salários abaixo da média, foram alguns dos problemas apontados.
“Nos municípios onde existem políticas ativas de inclusão, como o apoio comunitário e oportunidades de interação ou de integração entre residentes e migrantes, as perceções são mais favoráveis. Quando as comunidades se organizam para acolher e integrar, a imagem que se constrói sobre o estrangeiro tende a ser mais positiva. Está estudado que, quando se promovem relações entre pessoas de diferentes culturas, a tolerância à diferença aumenta significativamente”, sublinhou Helena Castro.
O Bispo de Viseu, D. António Luciano, marcou presença na sessão de abertura, onde sublinhou a importância da realização destas jornadas para a consciencialização e integração dos imigrantes, nas mais diversas áreas à luz da Doutrina Social da Igreja.
D. António Luciano reforçou a pertinência e atualidade do tema debatido, que deve criar “o desejo de trabalhar estas áreas, com desafios que são feitos à Igreja e à sociedade, construindo pontes justas e fraternas”. “A Doutrina Social da Igreja e a promoção da dignidade da pessoa humana têm que estar, precisamente, nos dois pilares para construir estas pontes, para fazer que todos nos sintamos bem e não reivindiquemos aquilo que nos é dado pela justiça”.
Referiu ainda a pertinência do Documento Final do Sínodo dos Bispos, “que nos convida, precisamente, a escutar, a acolher, a aproximar-nos, a discernir, para depois termos os melhores serviços, as chamadas melhores práticas, para irmos ao encontro dos nossos irmãos. Todos sabemos que o valor da justiça e da paz são importantíssimos”, sublinhou.
Esta iniciativa inspira-se nas palavras do Papa Francisco, na encíclica Fratelli Tutti (n.º 107): “Cada ser humano tem direito a viver com dignidade e a desenvolver-se integralmente”, que foi a premissa para esta manhã de trabalho.
O programa incluiu a presença de várias entidades e instituições da sociedade civil e de âmbito diocesano, unindo sinergias de cooperação entre todos, nomeadamente os que trabalham no terreno com a população imigrante. Destacaram-se ainda as presenças do Vigário para a Pastoral Social, Padre José Alves e de vários sacerdotes, bem como de representantes do Município de Viseu, da CIM Viseu Dão Lafões, da Cáritas Diocesana, do CLDS 5G Sátão Mais Inclusão e da Associação Casa do Brasil.
Durante a manhã, os presentes foram ainda brindados com momentos musicais, com a participação dos alunos do Agrupamento de Escolas de Sátão.