Open/Close Menu A Diocese de Viseu é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica em Portugal

A Vida é algo maravilhoso. Um dom concedido por Deus, em princípio concretizado na vivência do Amor dos pais que nos oferecem a vida biológica e a quem também foi confiada, primordialmente, a educação dos filhos para crescerem na Vida proposta por Deus, presente em Jesus Cristo, o Caminho, a Verdade e a Vida.

Não vivemos sozinhos, isolados uns dos outros. Necessitamos uns dos outros, somos seres em relação, à imagem e semelhança da Trindade santíssima, peregrinando neste mundo, na esperança de um dia vivermos na Casa do Pai. Enquanto não subirmos à casa do Eterno Pai, vivemos esta vida que conhecemos, neste mundo que conhecemos, com toda a Criação.

Deus deseja a nossa Felicidade, o que acontecerá se vivermos em harmonia, respeitando-nos uns aos outros, assumindo que todos somos imagem e semelhança de Deus. No fundo, é esta felicidade que a grande maioria das pessoas também aspira no íntimo do seu coração.

Porém, nem sempre este desejo e a realidade por nós experienciada coincidem. Os desentendimentos; a falta de respeito; o tolher a liberdade do outro; o considerar o outro como um objeto, um instrumento; o querer ilegitimamente o que é do outro, sejam objetos, pretensões… fazem com que a vida de muitos se torne mais difícil de viver, sendo-lhes negada a Felicidade por Deus desejada para todos.

É imperioso recuperar esta Felicidade. Seria bom que acontecesse naturalmente. Nem sempre é possível. Por vezes, muitas vezes, necessitamos do auxílio de muitos para recuperarmos a Felicidade a que temos direito. Este auxílio não pode vir de qualquer forma, mas conforme à vontade divina, que nas questões da Fé foi confiada à Igreja, que possui os seus próprios meios. Entre estes meios estão os tribunais eclesiásticos, mas não só.

Antes de se enveredar pelo caminho dos tribunais, seria proveitoso, para todos, procurar-se a conciliação entre as partes divergentes, de modo a tudo se resolver pacificamente, evitando-se feridas que poderão demorar a cicatrizar. Se não for possível, então enveredar-se por outros caminhos, nos quais se encontram os tribunais eclesiásticos.

A via judicial almeja alcançar a justiça. Desta forma pretende-se conceder a cada um o que é seu, responder às pretensões das partes, fazer com que não só o indivíduo mas igualmente a comunidade eclesial vivam a Felicidade que só Deus nos pode oferecer, que só no caminho por Ele proposto se torna realidade.

Colocar uma demanda em tribunal não deve ser algo que se faça com ligeireza, mas conscientemente, pois está em causa a vida de pessoas, da comunidade, da própria presença de Deus entre nós. Implica procurar a Verdade, que reside em Deus, fomentando a vivência em e da comunidade, de modo que os batizados vivam como povo de Deus.

Num próximo artigo, falaremos mais concretamente do modo de se propor uma demanda num tribunal eclesiástico.

Pe. Alcides Vilarinho

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