A Diocese de Viseu lançou o novo ano pastoral integrado no Biénio pastoral 2026-2028. “ESCUTA E CAMINHA” é o lema escolhido para este percurso, tendo como ícone bíblico de inspiração o encontro narrado no Evangelho de São João: “Vinde e vede” (Jo 1,39). Um convite a parar, escutar, reconhecer a realidade e, a partir dela, caminhar juntos. Vocações e Sinodalidade são os dois eixos que orientam este caminho. A escolha do lema e dos eixos nasce de um processo de escuta e da leitura da realidade diocesana. Há desafios que não podem ser ignorados: o pouco investimento numa pastoral vocacional permanente, a falta de sacerdotes, a diminuição da participação regular na vida das paróquias, o envelhecimento da população e a perda de vitalidade de algumas comunidades. É uma espécie de radiografia que coloca a Igreja de Viseu perante a necessidade de repensar formas de presença, de organização e de missão.
Mas esta realidade não é apenas marcada por dificuldades. É também um tempo de oportunidades. Temos vários indicadores favoráveis como pessoas disponíveis, comunidades com capacidade de renovação, grupos que continuam a servir e muitos adultos e jovens que procuram um sentido para a sua vida. O desafio passa por reconhecer estes sinais de esperança e criar condições para que possam gerar novas dinâmicas comunitárias.
É neste contexto que são definidos três objetivos para o novo ano pastoral. O primeiro é promover uma “cultura vocacional e sinodal”. As paróquias e as famílias são espaços privilegiados onde as vocações despertam, crescem e amadurecem. Por isso, a pastoral vocacional não pode ser episódica, reduzida a campanhas ou momentos específicos. Deve tornar-se uma dimensão permanente e transversal na vida das comunidades. Uma paróquia viva, onde existem relações, proximidade, participação, acompanhamento e espaço para cada pessoa, é também uma comunidade onde podem nascer vocações. Promover uma cultura vocacional significa ajudar cada pessoa a descobrir que a sua vida é um dom e que todos têm um lugar e uma missão na Igreja. E promover a sinodalidade significa aprender a caminhar juntos, escutando, discernindo e assumindo responsabilidades.
O segundo objetivo é “formar e comunicar melhor”. A formação é a alma da ação pastoral e, por isso, deve constituir uma aposta clara da Diocese. Num tempo de mudanças profundas é necessário compreender melhor aquilo que se faz, capacitar pessoas e proporcionar instrumentos para uma participação mais consciente e responsável na missão da Igreja. A par da formação, surge a urgência de melhorar a comunicação, tanto no interior da Diocese como na sua relação com a sociedade. Uma Igreja que comunica melhor é uma Igreja que cria pontes, aproxima pessoas, partilha experiências e torna visível aquilo que acontece nas suas comunidades.
O terceiro objetivo aponta para o investimento numa pastoral de conjunto: uma verdadeira conversão da mentalidade para transformar a comunidade. O desafio é ultrapassar uma lógica excessivamente setorial ou de isolamento e aprender a trabalhar de forma mais articulada. Paróquias, movimentos, serviços, grupos e estruturas diocesanas são chamados a colocar dons e recursos ao serviço de uma missão comum.
“Escuta e Caminha” é, assim, mais do que um lema para um novo ano pastoral. É um programa de atitude e de missão que só será possível colocar em prática se clero e leigos o abraçarem e assumirem.
Pe. João Zuzarte