O Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, presidiu ontem, dia 4 de outubro, à Eucaristia na Catedral de Viseu, num momento de encontro com o povo de Deus. No início da celebração, agradeceu a hospitalidade do Bispo de Viseu, D. António Luciano, e de todos os que o acolheram ao longo destes dias.
Na homilia, partindo das leituras propostas para este domingo, centradas na imagem da vinha do Senhor, D. Andrés Carrascosa Coso recordou que “nos esquecemos que a Igreja não é nossa, a Igreja é do Senhor”.
“A Diocese não é propriedade do Bispo, a paróquia não é propriedade do padre, o movimento não é propriedade do seu responsável, um grupo não é propriedade dos seus membros. A Igreja é de Cristo. Nós recebemos uma vinha que não nos pertence e somos chamados a cuidar dela para que dê frutos”, sublinhou.
Referindo-se concretamente à Diocese de Viseu, o Núncio Apostólico afirmou que “uma Igreja diocesana não pode viver a olhar para aquilo que já fez, mas sim a questionar-se sobre que frutos está a produzir”.
“Não basta ter estruturas, atividades, preencher calendários, não basta manter aquilo que sempre se fez. Precisamos de comunidades vivas, capazes de anunciar Jesus Cristo, de acolher, de acompanhar, de servir e de enviar. Isso diz respeito a todos”, afirmou.
Recordando o encontro com os leigos, realizado antes da Eucaristia, D. Andrés Carrascosa Coso frisou que estes “não são meros destinatários da ação pastoral, são protagonistas da missão da Igreja” e que “ser leigo significa viver a própria vocação batismal no coração do mundo”.
“Todos temos responsabilidades, um dom e podemos e devemos dar fruto”, afirmou o Núncio, sublinhando que “o mundo não precisa de cristãos dentro das igrejas, precisa de cristãos que levem Cristo para dentro do mundo”.
Cristãos capazes de testemunhar a fé através das suas opções e da sua vida quotidiana em caminho sinodal. “Precisa de homens e mulheres que saibam unir a fé à vida e que sejam honestos quando ninguém os vê, que defendam a dignidade humana quando isso lhes traz dificuldades, que saibam perdoar, que saibam servir, que sejam capazes de trabalhar para o bem comum, que não tenham vergonha da sua fé, que saibam testemunhar Cristo sem impor, que saibam dialogar sem renunciar à verdade, que saibam acolher sem deixar de anunciar”, enumerou.
“A Diocese de Viseu precisa de todos: dos sacerdotes, da vida consagrada, dos diáconos, das famílias, mas precisa também, e muito, dos leigos. Precisa de leigos formados na fé, espiritualmente maduros, capazes de assumir responsabilidades, presentes na sociedade, que não tenham medo de testemunhar. Precisa de jovens que descubram que a Igreja não é apenas uma herança recebida dos seus pais, mas uma missão que também lhes pertence. Precisa de adultos que acompanhem os jovens, precisa dos idosos, cuja oração e experiência são uma riqueza insubstituível. Precisa de famílias que sejam verdadeiras escolas de fé, precisa de comunidades capazes de acolher quem chega e de procurar quem se afastou”, enalteceu.
Ao referir-se à Peregrinação Diocesana, realizada no passado sábado, o Núncio Apostólico deixou também uma reflexão sobre o sentido da peregrinação cristã: “A peregrinação não termina quando chegamos ao Santuário, uma peregrinação verdadeira começa quando chegamos a casa”.
O Bispo de Viseu agradeceu a presença de D. Andrés Carrascosa Coso, pedindo-lhe que leve ao Papa Leão XIV o compromisso da Diocese de Viseu em permanecer fiel à Igreja e em testemunhar Jesus Cristo.
Na celebração, solenizada pelo coro diocesano São Teotónio, estiveram presentes vários sacerdotes, diáconos, membros da vida consagrada, acólitos, escuteiros e fiéis, num momento marcado pelo apelo a uma Igreja viva, corresponsável, sinodal e missionária.
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